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Thèse de Doctorat
DOI
https://doi.org/10.11606/T.48.2019.tde-19022020-105547
Document
Auteur
Nom complet
Guilherme Magalhães Vale de Souza Oliveira
Adresse Mail
Unité de l'USP
Domain de Connaissance
Date de Soutenance
Editeur
São Paulo, 2019
Directeur
Jury
Aquino, Julio Roberto Groppa (Président)
Bontempi Junior, Bruno
Carvalho, Alexandre Filordi de
Pagni, Pedro Angelo
Ramírez, Carlos Ernesto Noguera
Titre en portugais
Michel Foucault e o papel público dos intelectuais: a prática crítica como educação de si e dos outros
Mots-clés en portugais
Crítica
Educação
Governamentalidade
Intelectual
Michel Foucault
Resumé en portugais
O presente estudo consiste em uma mirada histórico-filosófica sobre o papel público do intelectual, elegendo a prática crítica de Michel Foucault tanto como inspiração teóricometodológica quanto como principal objeto de análise. O problema investigativo focaliza alguns deslocamentos sofridos pela prática intelectual desde o século XVIII, estabelecendo uma relação entre crítica, verdade e educação para descrevê-los como parte de um processo de governamentalização da sociedade. Para tanto, a investigação resultou em três movimentos analíticos. O primeiro deles devota-se a mapear a literatura de cunho histórico e sociológico acerca do papel do intelectual das últimas décadas do século XX, inventariando conjuntos de dilemas ali recorrentes sobre a relação entre saber/pensador e poder/instituição, bem como diagnosticando o excesso discursivo de teor politizante a partir dos anos 1970, de modo a evidenciar a equação crítica-verdade como nexo de resistência/emancipação às relações de poder institucionais. Em um segundo movimento analítico, realiza-se um recuo temporal com vistas a uma descrição das proveniências literárias e jornalísticas da prática crítica, açambarcadas por uma concepção de (auto)formação cultural (Bildung) referente ao discurso do esclarecimento (Aufklärung). Por meio desse recuo, desenlaça-se duas feições gerais que caracterizariam o discurso crítico na Modernidade: uma de teor político e belicoso e outra de teor educativo-instrucional. Se a primeira modalidade do discurso crítico, assinalada como o nascimento do intelectual moderno pela historiografia, estabeleceria uma relação antagônica em relação à razão de Estado, a segunda modalidade teria como finalidade, inicialmente, promover uma cultura de debate público entre os letrados para, em seguida, reivindicar-se como poder formativo dos súditos/cidadãos, supostamente emancipando-os das relações de tutela clássicas. Com o deslocamento histórico da prática crítica, visou-se evidenciar um intrincado jogo de educação de si e dos outros pelo qual um magistério alargado da expertise redundaria em uma lógica de governança da população. Por fim, no terceiro movimento analítico da investigação, o trabalho intelectual-educativo de Foucault, com destaque a sua atividade docente, é tomado como ocasião para as reflexões finais sobre o modo como o pensador francês tomou parte no sobredito debate em torno do lugar social dos intelectuais. O argumento em tela supõe o tensionamento das linhagens tanto da politização quanto da educacionalização da atividade crítica, demonstrando, para tanto, como o pensador francês se recusou de modo obstinado a secundar modelos políticos e pedagógicos da prática intelectual alegadamente mais livres, ora porque engajados, ora porque não institucionalizados , legando, por sua vez, procedimentos problematológicos de investigação e de ensino solidários a um modo de endereçamento desassombrado ao presente.
Titre en anglais
Michel Foucault and the public role of intellectuals: critical practice as an education of self and others
Mots-clés en anglais
Criticism
Education
Governmentality
Intellectual
Michel Foucault
Resumé en anglais
The present study consists of a historical-philosophical approach on the public role of the intellectual, electing Michel Foucault's critical practice as both theoretical and methodological inspiration as the main object of analysis. The investigative problem focuses on some displacements suffered by intellectual practice since the eighteenth century, establishing a relationship between criticism, truth and education to describe them as part of a process of governmentalization of society. To this end, the investigation resulted in three analytical movements. The first one is devoted to mapping historical and sociological literature on intellectuals role of the last decades of the twentieth century, inventing sets of recurring dilemmas about the relationship between knowledge/thinker and power/institution, as well as diagnosing discursive excess of politicizing content from the 1970s on, so as to highlight the critical-truth equation as a nexus of resistance/emancipation to institutional power relations. In a second analytical movement, the research steps back in time in order to describe the literary, journalistic and formative origins of critical practice, crossed by a conception of cultural (self)formation (Bildung) referring to the discourse of enlightenment (Aufklärung). Through this step back, the two general features that would characterize critical discourse in Modernity are unveiled: one of political and bellicose content and one of educational or instructional intent. If the first mode of critical discourse would establish an antagonistic relation to the reason of State, attributed as the birth of the modern intellectual, the latter would initially aim to promote a critical culture among the literate men and then claim to be the formative power of the subjects/citizens, supposedly emancipating them from classical power relations. With the historical shift of critical practice, the research aimed to highlight an intricate game of education of the self and the others through which a broad teaching expertise would result in a logic of population governance. Finally, in the third analytical movement of this research, Foucault's intellectual-educational practice, especially his teaching activity, is taken as an occasion for the final thoughts on how the French thinker took part in the above-mentioned debate about the social place of intellectuals. The argument here assumes the tensioning of the lineages of both politicization and educationalism of critical activity, thus demonstrating how the French thinker stubbornly refused to second political and pedagogical models of intellectual practice allegedly freer, sometimes because engaged, sometimes because they are not institutionalized , legating, in turn, problematological procedures of investigation and teaching in solidarity with a way of addressing the present in a fearless way.
 
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Date de Publication
2020-11-20
 
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