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Tese de Doutorado
DOI
10.11606/T.8.2018.tde-02102018-103227
Documento
Autor
Nome completo
Fabio Roberto Lucas
E-mail
Unidade da USP
Área do Conhecimento
Data de Defesa
Imprenta
São Paulo, 2018
Orientador
Banca examinadora
Zular, Roberto (Presidente)
Júnior, Eduardo Sterzi de Carvalho
Natali, Marcos Piason
Penna, João Camillo Barros de Oliveira
Siscar, Marcos Antonio
Título em português
O poético e o político: últimas palavras de Paul Valéry
Palavras-chave em português
Literatura e filosofia
Literatura francesa
Paul Valéry
Poesia e política
Teoria literária
Resumo em português
A tese se dedica ao estudo das relações entre o poético e o político na escritura de Paul Valéry entre 1940 e 1945, anos arrasados pela segunda guerra e também os últimos da vida do escritor. O período estudado começa, assim, no verão de 1940, quando a França perde a batalha contra os alemães, Paris é ocupada pelos nazistas e Valéry, abrigado no norte do país, põe-se a escrever o terceiro Fausto que ele há tempos desejava compor. A pesquisa se estende até maio de 1945, pleno apogeu da Libération Française, quando o escritor publica em jornal gaulista (aquelas que [não] deveriam ser) as Ultima Verba do vencedor do conflito, e termina o poema em prosa LAnge depois de duas décadas de trabalho sobre esse texto. Seguindo a escritura diária dos cahiers de Valéry e as notas do curso de poïética ministrado pelo poeta no Collége de France naqueles anos, a tese busca apreender como as estratégias poéticas das obras analisadas Ultima Verba, LAnge e Mon Faust são concebidas para enfrentar os acontecimentos esmagadores daquele período. Com efeito, elas modulam recursos sensíveis, significativos e formais do ato poético, pondo em contradicção as forças heterogêneas do discurso e sua dicção, da voz e do pensamento (lógos e foné), ser e convenção, estabelecendo uma implicação recíproca do poético e do político: o poeta como político profundo, entre as majorités do som e do sentido. Essa implicação põe em jogo a autonomia e a soberania da linguagem poética, os modos de circulação do discurso numa sociedade democrática e o gesto do poeta frente às aporias do processo de escrita. Desse modo, procura-se menos revelar a política de suas escolhas (as vias que o escritor abre ou fecha; ainda que isso seja parte do problema, não é o principal) do que pensar na política de sua poética, perceptível na modulação das diferentes maneiras de ver que compõem o poema, uma modulação que cala ou interrompe, escuta ou prolonga suas hesitações. Assim, veremos que os dilemas da fiducia política e da ciência moderna elaborados nos brouillons do ciclo fáustico e nas notas do curso de poïética reencontram a hesitação prolongada, o inacabamento e infinitização contínua do ato poético, sempre em curso de driblar injunções fiduciárias e técnicas, num momento em que a Europa moderna tinha mais do que nunca carência de repensar os pactos, moedas, projetos e o próprio para, [vencedor, nesse] momento em curso na literatura e na comunidade.
Título em inglês
The poetic and the political: last words of Paul Valéry
Palavras-chave em inglês
French literature
Literary theory
Literature and philosophy
Paul Valéry
Poetry and politics
Resumo em inglês
The thesis aims to study the relations between the poetic and the political in the writings of Paul Valéry from 1940 to 1945, a time crushed by the war and the last years of the poets life. This study covers a period that goes from the summer of 1940 during the last weeks of the Battle of France, when Paris was occupied by the germans and the poet, sheltered in the countrys north, starts to write the third Faust that for a long time he wished to write up to may 1945, in the pinnacle of the Libération Française, when the writer publishes in a gaullist journal (those that should [not] be) the ultima verba of the wars winner, and completes, after two decades of writing labour, the prose poem LAnge. By following the the cahiers daily writings and the Collège de Frances course in poetics lesson notes of those years, we seek to understand the strategies conceived to confront the periods crushing events, specially in the analysed texts Ultima Verba, LAnge and Mon Faust. In fact, they modulate the aesthetic infinitys sensible, significant and formal resources in the contradiction of the heterogeneous forces of the discourse and its diction (its elocution), voice and thought (logos and phone), being and convention, thus establishing a reciprocal implication of the poetic and the political: the poet as a profound politician who works between the majorities of sound and sense. This implication reflects upon the poetic languages autonomy and sovereignty, the discourse circulation modes in a democratic society and the poets act in relation to the writing process issues. Thus, this gesture would be put in place less for revealing the politics in Valérys choices (the paths he opens or closes; this is also part of the problem, but it is not the main question) than for thinking about his poetics own politics, one deployed in the modulation of the different manners of seeing implicated in the poem, a modulation that silents or stops, listens or prolongs their hesitations. Then, we shall see that the fiducias politics and modern science dilemmas elaborated by the faustic cycle drafts and by the course in poetics lesson notes find theirselves in the company of the verse as prolonged hesitation, of the poetics act incompleteness and infinitization, always in the process of dribbling the fiduciary and technical injunctions, in a time when modern Europe had more than ever to rethink the pacts, currencies, projects and even the stop, [winner, in this] moment that had currency in literature and community.
 
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Data de Publicação
2018-10-02
 
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