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Dissertação de Mestrado
Documento
Autor
Nome completo
Renan Falcheti Peixoto
E-mail
Unidade da USP
Área do Conhecimento
Data de Defesa
Imprenta
São Paulo, 2017
Orientador
Banca examinadora
Florenzano, Maria Beatriz Borba (Presidente)
Bechelli, Regina Helena Rezende
Soares, Fábio Augusto Morales
Título em português
Técnica urbana ortogonal e teoria da poesia oral: de Mégara Hibleia a Túrio
Palavras-chave em português
Hipodamo de Mileto; Mégara Hibleia; Túrio; técnica ortogonal; poesia oral
Resumo em português
distribuída em uma moldura interpretativa criada por duas cidades separadas em suas respectivas fundações mais ou menos três séculos. A pólis arcaica de Mégara Hibleia e a pólis clássica de Túrio oferecem as maiores referências da presente pesquisa, cuja intenção é analisar o fenômeno da organização ortogonal através da teoria da poesia oral como apresentada nos estudos comparativos de Milman Parry e Albert Lord. A pesquisa etnográfica de Parry e Lord no começo do século XX com bardos iugoslavos abriu todo um novo e inspirador campo de estudos no âmbito da composição e recepção dos poemas homéricos. Com tal perspectiva, se demonstrará nas páginas seguintes um método de planejamento sem que haja o desenho de planos. Um planejamento que utiliza como recurso de composição fórmulas aritméticas que definem as proporções entre os elementos do sistema. Iniciando o problema com as evidências literárias sobre Hipodamo de Mileto, coroado por uma corrente historiográfica como primus inventor do método urbano ortogonal, se descortinará uma tradição anônima secular derivada da prática de artífices que não escreveram uma linha a respeito de sua técnica. As fórmulas ortogonais constituem medidas co-dimensionadas entre os lados do lote da casa, do quarteirão e da largura das ruas cristalizados ao longo do tempo na escansão dos quarteirões. Tomando-se miras ópticas e alinhando cordas ao longo de estradas seria possível - como em um esquadro - iniciar dois vetores das fórmulas aritméticas então traduzidas em formas geométricas. Será argumentado na análise detalhada da forma de Mégara Hibleia contra a hipótese de que exista no período arcaico a concepção de um módulo abstrato e a priori. A cidade ortogonal arcaica não é um plano-mestre pensado como um conjunto que precede suas partes. O uso dos princípios da ortogonalidade ao longo do tempo, no entanto, contribuem para o surgimento de novas fórmulas de unidades maiores que em cidades como Túrio consignam dentro de sua área o agrupamento de um dado número de quarteirões. Isto é o indício de que a cidade ortogonal comensura-se então como um conjunto articulado de partes. Ao questionar a leitura moderna que, sob um paradigma literário, vê nos planos e desenhos de reconstituição da malha original das cidades ortogonais um produto de um exercício por excelência abstrato, mental e a priori, se discutirá, por consequência, a ontologia do artefato arqueológico, os fundamentos epistemológicos da arqueologia que, desde seu vir-a-ser como disciplina acadêmica, se ampara de uma série de ferramentas interpretativas herdadas da cosmologia moderna ocidental. O texto circulará, portanto, em vias interdisciplinares entre arqueologia, filologia, filosofia, sociologia, antropologia e história da arte.
Título em inglês
Orthogonal technique and oral poetry: from Megara Hyblaea to Thuruoi
Palavras-chave em inglês
Hipodamus of Miletus; Megara Hyblaea; Thurioi; orthogonal technique; oral poetry
Resumo em inglês
The Greek orthogonal technique, especially in the urban contexts of Sicily and south Italy (Magna Graecia), could be distributed in a interpretative frame created by the archaeological tale of two cities separated in its foundations more or less three hundred years. The Archaic polis of Megara Hyblaea and the Classical polis of Thurioi offer the two major references of the present research which intends to analyze the phenomenon of orthogonal organization through the oral poetry theory as presented in the comparative studies of Milman Parry and Albert Lord. The ethnographic research of Parry and Lord in the earlier twentieth century with Yugoslavian singers opens a new and inspiring field on the composition and reception of the Homeric poems. With this perspective, it will be demonstrate in the following pages a planning method without any design plans. A planning that uses as compositional resources arithmetical formulas that define the proportional dimensions between the elements of the system. Initiating the subject with the literary evidences about Hipodamus of Miletus, crowned by a historiographical current as primus inventor of the orthogonal method, will be uncovered the anonymous secular tradition derived from the practice of craftsmen who did not write a single word about their techniques. The orthogonal formulas constitute co-dimensioned measures between the sides of the house lot, the block and the width of streets crystallized over time in the scansion of the blocks. Taking optical sights and aligning ropes along roads would be possible - as in a square - to start two vectors from the arithmetical formulas then translated in geometrical forms. It will be argued in the detailed analysis of Megara Hyblaea's layout against the hypothesis that there is in the Archaic period a conception of an abstract and a priori module. The orthogonal Archaic city it is not a master plan thought as a set which precedes its parts. The continued use of the orthogonal principles over time, however, contribute to the emergence of new formulas of larger unities which in cities like Thurioi consigns inside its area the grouping of a given number of blocks. This is a sign of a notion then that the orthogonal city is co-measured from a set articulated of parts. By questioning the modern lecture which, under a literary paradigm, sees the reconstituted plans and drawings of an original orthogonal grid a byproduct of an abstract, mental and a priori exercise, it will be discussed, by consequence, the ontology of the archaeological artifact, the archaeology's epistemological fundaments that, since its becoming as an academic discipline, relies on a series of interpretative tools inherited from modern Western cosmology. It will be circulate, therefore, in interdisciplinary roads between archaeology, philology, philosophy, sociology, anthropology and art history.
 
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Data de Publicação
2017-10-30
 
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