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Dissertação de Mestrado
DOI
Documento
Autor
Nome completo
Marília Balbi Silveira
E-mail
Unidade da USP
Área do Conhecimento
Data de Defesa
Imprenta
São Paulo, 2019
Orientador
Banca examinadora
Velardi, Marilia (Presidente)
Ishibashi, Eliana de Toledo
Maneschy, Pedro Paulo Araujo
Tsukamoto, Mariana Harumi Cruz
Título em português
Prática corporal, gênero e feminismo: a dança do ventre como lócus de pensamento, ação e reflexão
Palavras-chave em português
Dança do ventre
Entrevista compreensiva
Prática corporal
Resumo em português
Ainda que escassa nos idiomas ocidentais, a literatura sobre dança do ventre tende à unanimidade ao tratar dessa prática artística como algo bastante antigo e de difícil acesso aos registros iniciais. O que é comum aos registros é a descrição da dança do ventre como uma espécie de ritual feminino em adoração às divindades e à celebração da prosperidade. No entanto, ainda quando a dança do ventre é considerada como prática corporal, com objetivos definidos para além da sua perspectiva artística, recai sobre ela uma visão preconceituosa sobre seus movimentos corporais e seu figurino, que não parece condizer com os objetivos ritualísticos e sagrados. Talvez isso se dê por uma tradução ou uso descontextualizado dessa prática, algo similar ao que pode ocorrer com as artes marciais ou mesmo com prática com origem também ritualística ou devocional, como diversas formas de meditação e o yoga. No caso da dança do ventre, como em outras artes, os registros e disseminação da prática foram feitos por homens que, neste caso, não dançam. Desta forma, todo registro passa por filtros do olhar e interpretação do masculino, o que pode alterar o modo como a prática é compreendida, vivida e projetada. Na tentativa de compreender a origem histórica dos sentidos da Dança do Ventre, e entender como os atravessamentos da cultura, da religião, de gênero e do pensamento capitalista foram transformando essa prática em um tipo de produto, foram entrevistadas quatro dançarinas profissionais de dança do ventre. A escolha destas mulheres foi o reflexo da preocupação em traduzir os valores mais ancestrais desta dança e, portanto, o convite à participarem da pesquisa foi pautado no conhecimento e trajetória delas com a dança, sendo o principal aspecto o seu comprometimento com os estudos e suas atuações profissionais. O método, qualitativo por excelência, foi operacionalizado por uma entrevista e análise compreensivas. Das conversas, diálogos mediados por um roteiro de conversação, surgiram temáticas como: a conexão e competição entre mulheres, a objetificação do corpo, o show de dança do ventre e os rituais e celebrações, que se constituíram eixos temáticos que organizam os capítulos do trabalhos. Todo conhecimento produzido é resultado da tessitura das falas das entrevistadas com as teorias nos campos dos estudos feministas e da dança do ventre. É evidenciado na pesquisa que a dança sofreu distorção na sua utilização, e como em outras várias manifestações de expressão e de fortalecimento do coletivo feminino, a desvalorização foi parte de um projeto maior de controle e organização da sociedade, que teve como resultado o controle do corpo e das relações sociais
Título em inglês
Body practice, gender and feminism: belly dance as a locus of thought, action and reflection
Palavras-chave em inglês
Belly dance
Body practices
Comprehensive interview
Resumo em inglês
Although scarce in western languages the literature on belly dance tends to unanimity in treating this artistic practice as something quite old and difficult to access to the initial records. What is common to records is the description of belly dance as a kind of female ritual in worshiping deities and celebrating prosperity. However, even when belly dancing is considered as bodily practice, with definite goals beyond its artistic perspective, a biased view of bodily movements and costume, which does not seem to conform to ritualistic and sacred goals, falls upon it. Perhaps this is due to a translation or decontextualized use of this practice, something similar to what can occur with the martial arts or even with practice also of ritualistic or devotional origin, such as various forms of meditation and yoga. In the case of belly dance this can also be attributed to the fact that the oldest records were constructed without portraying or transmitting essential values to their understanding. In addition, as in other arts, the records and dissemination of the practice were made by men, who in this case do not dance. In this way, every record passes through filters of the look and interpretation of the masculine, which can alter the way the practice is understood, experienced and projected. In an attempt to understand the historical origin of the Belly dance senses, and to understand how the crossings of culture, religion, gender and capitalist thought were transforming this practice into a type of product, four professional belly dancers were interviewed . The choice of these women was the reflection of their concern to translate the most ancient values of this dance and, therefore, the invitation to participate in the research was based on their knowledge and trajectory with dance, the main aspect being their commitment to studies and their professional performances. The method, qualitative par excellence, was operated by a comprehensive interview and analysis. From the conversations, dialogues mediated by a conversation script, topics such as: the connection and competition between women, the objectification of the body, the belly dance show and the rituals and celebrations, and are these thematic axes that organize the chapters of the works. All knowledge produced is a result of the seam of the speeches of those interviewed with the theories in the fields of feminist studies and belly dancing. It is evidenced in the research that the dance suffered distortion in its use, and as in other various manifestations of expression and strengthening of the female collective, the devaluation was part of a larger project of control and organization of society, which resulted in control of the body and social relations
 
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marilia.pdf (4.52 Mbytes)
Data de Publicação
2019-05-02
 
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