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Dissertação de Mestrado
DOI
https://doi.org/10.11606/D.98.2021.tde-07022022-113235
Documento
Autor
Nome completo
Talita Lima Ribeiro
Unidade da USP
Área do Conhecimento
Data de Defesa
Imprenta
São Paulo, 2020
Orientador
Banca examinadora
Pedra, Simone Rolim Fernandes Fontes (Presidente)
Costa, Rodrigo Nieckel da
Jatene, Marcelo Biscegli
Martins, Tâmara Cortez
Título em português
Oclusão das comunicações interventriculares musculares congênitas pela técnica híbrida perventricular: indicações, resultados imediatos e tardios
Palavras-chave em português
Comunicação Interventricular
Dispositivo para Oclusão Septal
Procedimentos Cirúrgicos Cardíacos
Resumo em português
Introdução: classicamente, comunicações interventriculares (CIVs) com repercussão hemodinâmica são corrigidas pelo tratamento cirúrgico, entretanto as CIVs musculares constituem um grande desafio ao cirurgião devido à localização em meio às trabeculações do ventrículo direito. Por outro lado, o método percutâneo tem maiores taxas de complicações em pacientes de baixo peso pela rigidez do material, acesso vascular limitado e necessidade de estabelecer uma alça arteriovenosa para o implante do dispositivo. A oclusão perventricular de comunicações interventriculares musculares (CIVm) surgiu como uma opção para pacientes de alto risco ou como tratamento complementar em pacientes com defeitos associados, poupando tempo de circulação extracorpórea. No Brasil, o emprego da técnica híbrida ocorre há mais de 10 anos, mas faltam estudos para analisar os resultados imediatos e a longo prazo. Objetivos: avaliar as características clínicas e anatômicas pré-procedimento, indicações de tratamento com a técnica híbrida, complicações no pós-procedimento imediato e parâmetros clínicos e ecocardiográficos no seguimento tardio desta população. Métodos: foi realizado estudo retrospectivo com pacientes submetidos à oclusão perventricular de CIVm em dois centros de cardiologia pediátrica entre 2007 e 2017. Foram criados dois grupos de acordo com a indicação: tratamento primário (onde a correção da CIVm é o objetivo principal) ou tratamento complementar (onde há associação com outros defeitos que também necessitam de tratamento). Foram analisados dados pré, intra e pós-operatórios imediatos e tardios com informações obtidas pelo levantamento do prontuário. Resultados: foram realizados 23 procedimentos em 21 pacientes no período estudado. Na coorte geral, a mediana de idade foi 4,7 meses (22 dias-3,2 anos) e a média de peso foi 5,5±1,9 kg. Quinze pacientes (65,2%) haviam passado por procedimentos prévios e 11 (47,8%) foram encaminhados da unidade de terapia intensiva (UTI). O tratamento primário foi realizado em 10 pacientes, [mediana do diâmetro das CIVm de 8,1 mm (4-17)]. Neste grupo, três pacientes tinham comorbidades importantes e dois, bandagem do tronco pulmonar prévia. O sucesso ocorreu em nove dos 10 casos. Em um paciente houve deslocamento da prótese sendo necessária a correção cirúrgica. Houve um óbito tardio por infecção em neonato com comorbidades. Em 11 pacientes a oclusão da CIVm foi considerada como tratamento complementar, sendo a mediana do diâmetro das CIVm de 7,0 mm (4,5-16) sendo que 10 deles estavam em recuperação pós-operatória na UTI. Sete passaram por procedimentos adicionais concomitantes. O sucesso ocorreu em 10/11 pacientes. Houve um óbito associado ao procedimento, sem complicações nos demais. O tempo de seguimento pós-operatório foi de 4,6 anos (8,5 meses-10,6 anos). Nenhum paciente apresentou shunt residual hemodinamicamente significativo, sintomas cardiovasculares, reintervenção não planejada, arritmias ou óbito. Conclusão: A técnica híbrida de oclusão de CIVm apresenta altas taxas de sucesso em casos bem selecionados. Pacientes com baixo peso, em condição clínica desfavorável para cirurgia ou com cardiopatias complexas associadas são os principais candidatos para a técnica. O procedimento mostra baixo índice de lesões residuais, baixa associação com arritmias, insuficiência valvar ou disfunção ventricular e resultados animadores a médio e longo prazo.
Título em inglês
Congenital muscular ventricular septal defect closure by the hybrid perventricular technique: indications, immediate and late results
Palavras-chave em inglês
Cardiac surgical prodecures
Septal closure device
Ventricular septal defect
Resumo em inglês
Introduction: traditionally, hemodynamically significant ventricular septal defects (VSDs) are surgically corrected. However, muscular VSDs represent a major challenge for the surgeon due to their location within coarse trabeculations of the right ventricle. The percutaneous treatment, on the other hand, present with high rates of complications in infants and small children because of stiff sheaths, limited vascular access and the need to establish an arteriovenous loop to implant the device. Perventricular closure of muscular ventricular septal defects (mVSD) emerged as an option for high-risk patients or as an additional treatment for patients with associated congenital heart disease, saving precious time of cardiopulmonary bypass. In Brazil, the hybrid approach has been used for more than ten years, but studies in our country analyzing immediate and long-term results are lacking. Objectives: to evaluate the pre-procedure clinical and anatomical characteristics, indications for treatment with the hybrid technique, complications in the immediate post-procedure period and clinical and echocardiographic parameters in the late follow-up of this population. Methods: a retrospective study was carried out with patients undergoing perventricular closure of mVSD in two pediatric cardiology centers from 2007-2017. Two groups were created according to the indication: primary treatment (where the correction of the mVSD is the main goal) or additional treatment (where there is an association with other defects and the mVSD closure is a complementary procedure). Preoperative, procedural and postoperative data were analyzed with information obtained from the medical records. Results: twenty three procedures were performed on 21 patients during that period. In the general cohort, the median age was 4.7 months (22 days-3.2 years) and the mean weight was 5.5 ± 1.9 kg. Fifteen patients (65.2%) had undergone previous procedures and 11 (47.8%) were referred from the intensive care unit (ICU). Primary treatment was performed in 10 patients [median VSD diameter of 8.1 mm (4-17)]. In this group, three patients had associated comorbidities and two had previous pulmonary artery banding. Success occurred in 9/10 cases. In one, the device shifted downwards and surgery was necessary to remove it. There was one late death due to infection in a neonate with systemic illness. In 11 patients, the mVSD closure was considered- as an additional treatment- [median mVSD diameter of 7.0 mm (4.5-16)] with 10 referred from postoperative recovery in the ICU because of significant VSD shunt. Seven underwent additional simultaneous procedures. Success occurred in 10/11 patients. There was one death associated with the procedure, with the others free of complications. Follow-up time was 4.6 years (8.5 months-10.6 years). No patient had hemodynamically significant residual shunt, cardiovascular symptoms, unplanned reintervention, arrhythmias or death. Conclusion: the perventricular device closure of mVSD has high success rates in well selected cases. Low weight patients, in adverse clinical scenario for surgery or with complex heart disease are the main candidates for the technique. The procedure shows a low rate of residual lesions, a low association with arrhythmias, valve failure or ventricular dysfunction with encouraging midterm and long-term results.
 
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Data de Publicação
2022-05-11
 
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