Tese de Doutorado

Documento
Tese de Doutorado
Nome completo
Ellen Maria Martins de Vasconcellos
E-mail
Unidade da USP
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Data de Defesa
2024-09-03
Imprenta
São Paulo, 2024
Banca examinadora
Gasparini, Pablo Fernando (Presidente)
Garramuño, Florencia
Giorgi, Gabriel Alejandro
Schwartz, Adriano
Título em português
Sobreviver nas catástrofes: uma análise literária contemporânea
Palavras-chave em português
Catástrofe, Comum, Futuro, Precariedade, Sobrevivência
Resumo em português
Esta tese de doutorado tem como objetivo explorar narrativas literárias contemporâneas nas quais o tempo e o espaço da catástrofe se instalam. A análise se realizará a partir das formas de localizar e de registrar o acontecimento em seu tempo e espaço, e das estratégias de resistência e tentativas de sobrevivência encontradas pelas personagens. Na primeira parte, as obras a serem analisadas são: Distancia de rescate, de Samanta Schweblin (2014); Los días de la peste, de Edmundo Paz Soldán (2017); Sumar, de Diamela Eltit (2018). Elas têm em comum uma catástrofe em curso, um mundo que se desmorona. A tragédia já está acontecendo e põe em risco a vida das personagens já por si precarizadas, despossuídas. As narrativas são ex-critas a partir de seu testemunho, um discurso que pressupõe um interlocutor, evidência de um traço significativo nas obras: a escuta. É no momento que as personagens experienciam o acercamento do fim, situadas ante a iminência mortal dos seres, que se percebem parte do comum, e se abrem a formas de vida em comunidade e à potência também gerada pela precariedade, para a desconstrução da ordem e dos muros da individuação desde a reconstrução de uma ética dos relatos e das relações. São corpos abertos aos outros, vivos e mortos, às suas vozes e saberes. Já na segunda parte desta pesquisa, vamos analisar os romances 10:04, de Ben Lerner (2014) e A ocupação, de Julián Fuks (2019), nos quais encontramos um narrador autoficcionalizado diante da catástrofe, que conta o que presencia, o que vê e ouve, mas a uma distância segura dos acontecimentos. Ou seja, o narrador observa a precariedade e a vulnerabilidade, estando a dois passos dela. Seu testemunho desde uma posição protegida, no entanto, não está ileso de ser afetado pela catástrofe dos outros, nem o isenta de se posicionar frente à comunidade e ao comunitário no presente e perante o futuro. Há sempre algo em comum. Nesta segunda parte, então, analisamos a narrativa construída a partir dos restos e da percepção dos narradores sobre como o atual contexto político, econômico, cultural e ecológico pede um olhar e um ouvido atentos ao entorno e clama por ação. Já na terceira e última parte do trabalho, analisaremos as obras literárias El gusano, de Luis Carlos Barragán (2018), e La infancia del mundo, de Michel Nieva (2023), nas quais a catástrofe já aconteceu, e só depois dela é que se inicia a jornada das personagens no cenário distópico. Quer dizer: as narrativas só iniciam após o fim, e, por conta disso, elaboram outras formas de sobrevivência, já que instam uma alteração radical de postura e uma resiliência para o enfrentamento dos mesmos e de novos problemas, bem como a formulação de um outro modo de lidar com a temporalidade, com os seres e as coisas ao redor, para que, a partir do fim -- ainda que este seja sempre parcial, o fim de mundos, de existências e de territórios específicos --, outro começo, mais imaginativo, possa ser representado, e outras possibilidades de comunidade, futuros comuns, possam assim surgir. Após a análise das sete obras divididas em três partes, espera-se chegar, então, em um panorama (parcial) de como a literatura contemporânea, escrita nas últimas duas décadas nas Américas, sob a condição neoliberal, mas em disputa, se posiciona em relação às catástrofes e que estratégias traz para a continuidade da vida e para a imaginação do futuro
Título em inglês
Surviving in catastrophes: a contemporary literary analysis
Palavras-chave em inglês
Catastrophe, Common, Future, Precariousness, Survival
Resumo em inglês
This research aims at investigating contemporary literary narratives whose catastrophe's time and space is instituted. The analysis will be carried out based on ways of locating and recording the event, and the resistance strategies and survival attempts found by the characters. In the first part, the following works will be analyzed: Distancia de rescate by Samanta Schweblin (2014); Los días de la peste by Edmundo Paz Soldán (2017); and Sumar by Diamela Eltit (2018). What they have in common is an ongoing catastrophe, a world that is falling apart, that is, a catastrophe that is happening and that threatens the life of characters who are already in precarious situations, dispossessed. The narratives are built from their testimony, a discourse that entails an interlocutor, highlighting a significant feature of these works: listening. It is at the moment when the characters experience the end approaching, faced with the mortal imminence of beings, that they perceive themselves as part of the common, opening up to ways of communal life and the potential also generated by precariousness. This leads to the deconstruction of the order and the walls of individuation through the reconstruction of an ethics based on the relational and storytelling. These are bodies open to others, both living and dead, to their voices and knowledge. In the second part of this research, we will address the novels 10:04 by Ben Lerner (2014) and A ocupação by Julián Fuks (2019), in which we find a selffictionalized narrator in the face of catastrophe, who tells us what they are witnessing, seeing and hearing, albeit from a safe distance. The narrator observes precariousness and vulnerability, standing two steps away from it. Their testimony from a protected position, however, is not safe from being affected by the catastrophes of others, nor does it exempt them from positioning themselves in the face of the community and communal in present time and towards the future. There is always something in common. In this second part, we will analyze the narrative built from remains and from narrators' perception on how the current political, economic, cultural, and ecological context demands an attentive eye and ear to the surroundings and calls for action. In the third and final part of the research, we will analyze the literary works El gusano by Luis Carlos Barragán (2018) and La infancia del mundo by Michel Nieva (2023), in which the catastrophe has already taken place, and it is only after such event that the characters' journey in the dystopian scenario begins. The narratives start after the end, and, on that account, other ways of surviving are elaborated, requiring a radical change of attitude and resilience for one to face the same old and new problems, as well as another way dealing with temporality, along with the beings, and things around them, showing that from the end--albeit always partial, as the end of worlds, existences, and specific territories--, another beginning, a more imaginative one, can be represented, and other possibilities of worlds in common, and common futures can thus arise. The purpose here, after analyzing these seven works divided into three parts, is to attain a (partial) panorama on how contemporary literature written in the Americas over the last two decades, under neoliberal conditions but in contestation, positions itself in relation to catastrophes and what strategies they offer for the continuity of life and the imagination of the future

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Data de Publicação
2024-12-16

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