Tese de Doutorado
Documento
Tese de Doutorado
Autor
Nome completo
Aline Fernanda Maciel
E-mail
Unidade da USP
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Programa ou Especialidade
Data de Defesa
2024-07-23
Imprenta
São Paulo, 2024
Orientador
Banca examinadora
Purdy, Robert Sean (Presidente)
Borges, Elisa de Campos
Moraes, Lívia de Cássia Godoi
Vallejos, Rolando Eugenio Alvarez
Título em português
Tecendo desigualdades, redimensionando opressões: capital, relações de trabalho e gênero no Chile (1970-1990)
Palavras-chave em português
Chile, Ditadura, Gênero, Relações de trabalho, Unidade Popular
Resumo em português
No presente trabalho, partimos da análise do setor têxtil chileno, em especial das fábricas Sumar e Yarur, para pensar como as reconfigurações produzidas nas relações de trabalho e gênero no Chile entre 1970 e 1990 incidiram na vida de trabalhadoras e trabalhadores que haviam sido protagonistas durante a experiência da Unidade Popular, mas que, na ditadura, foram intensamente impactados pela implantação do neoliberalismo no país. A crise orgânica do capitalismo produzida na década de 1970 implicou reestruturações produtivas que incidiram diversa e complexamente em diferentes formações sociais. No Chile, país de economia periférica, a crise repercutiu em forma de golpe de Estado, interrompendo violentamente a complexa e explosiva experiência de construção das bases do socialismo no país. A via chilena ao socialismo representa uma das experiências mais emblemáticas da história do Chile ao propor mudanças radicais no sentido de transformar essencialmente as relações de produção na direção de uma sociedade mais justa e menos desigual, respeitando os marcos da legalidade burguesa. O que não significa que a Unidade Popular não tenha sido marcada por conflitos, tensões, contradições, divergências no que se refere ao projeto político e as dinâmicas desenvolvidas, que inclusive transbordaram os limites institucionais. Assim, a criatividade coexistiu com dissensos, apontando a relação dialética entre o projeto de transformações substantivas e a realidade. Esse processo altamente complexo foi permeado pela dimensão de gênero presente nas políticas sociais, como componentes intrínsecos das dinâmicas participativas promovidas tanto pelo governo como nos espaços de trabalho e movimento de trabalhadores, cuja análise permite refletir sobre as contradições presentes nas lutas sociais pelo fim da exploração. Nesse sentido, pretendemos analisar as contradições e insuficiências presentes no período. Por outro lado, o golpe militar representou a objetivação dos interesses das classes dominantes em interromper e desarticular totalmente o processo que se vinha desenvolvendo no país, impondo um redirecionamento radical do poder político restituído à burguesia. As transformações produzidas atingiram profundamente a classe trabalhadora que havia participado ativamente dos mil dias do governo de Salvador Allende. Neste trabalho, busca-se pensar as relações de opressão e exploração no capitalismo de uma perspectiva analítica de unidade sistêmica entre essas esferas. Para isso, concentramo-nos em analisar as transformações nas relações de trabalho e gênero desde a Unidade Popular até a ditadura, partindo do trabalho têxtil para pensar as contradições engendradas e colocar em evidência como as reconfigurações no capitalismo repercutiram no Chile, traduzidas no processo de implantação do neoliberalismo, produzindo novas tendências no sentido de comprimir e desestabilizar as condições de vida ampliando as contradições entre relações de produção capitalista e reprodução dos meios de vida da classe trabalhadora
Título em inglês
Sewing inequalities, resizing opressions: capital, labor relations and gender in Chile (1970-1990)
Palavras-chave em inglês
Chile, Dictatorship, Gender, Labor Relations, Popular Unity
Resumo em inglês
In this thesis, I start from an analysis of the Chilean textile sector, especially the Sumar and Yarur factories, to think about how the reconfigurations produced in labor and gender relations in Chile between 1970 and 1990 affected the lives of workers who had been protagonists during the experience of Popular Unity, but who during the dictatorship were intensely impacted by the implementation of neoliberalism in the country. The organic crisis in capitalism produced in the 1970s resulted in productive restructuring that affected different social formations in a diverse and complex manner. In Chile, a country with a peripheral economy, the crisis had repercussions in the form of a coup d'état, violently interrupting the complex and explosive experience of building the foundations of socialism in the country. The Chilean path to socialism represents one of the most emblematic experiences in the history of Chile, proposing radical changes in the sense of essentially transforming production relations towards a fairer and less unequal society, respecting the framework of bourgeois legality. This does not mean that Popular Unity was not marked by conflicts, tensions, contradictions and divergences regarding the political project and the dynamics developed, which even exceeded institutional limits. Thus, creativity coexisted with dissent, highlighting the dialectical relationship between the project of substantive transformations and reality. This highly complex process was permeated by the gender dimension present in social policies, as intrinsic components of the participatory dynamics promoted both by the government and in the work spaces and workers' movement, whose analysis allows us to reflect on the contradictions present in social struggles for the end of exploitation. In this sense, I analyze the contradictions and insufficiencies present in the period. On the other hand, the military coup represented the objectivization of the interests of the dominant classes in interrupting and completely dismantling the process that had been developing in the country, imposing a radical redirection of political power returned to the bourgeoisie. The transformations produced deeply affected the working class who had actively participated in the thousand days of Salvador Allende's government. This work aims to explore relations of oppression and exploitation in capitalism from an analytical perspective of systemic unity between these spheres. To do this, I focus on analyzing the transformations in labor and gender relations from the Popular Unity period to the dictatorship, starting from textile workers to think about the contradictions engendered and highlighting how the reconfigurations in capitalism had repercussions in Chile translated into the process of implementation of neoliberalism producing new tendencies towards compressing and destabilizing living conditions, expanding the contradictions between capitalist production relations and the reproduction of working-class livelihoods
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Data de Publicação
2024-11-22
Trabalhos decorrentes
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