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Dissertação de Mestrado
DOI
Documento
Autor
Nome completo
Nathalia Silva Carneiro
E-mail
Unidade da USP
Área do Conhecimento
Data de Defesa
Imprenta
São Paulo, 2019
Orientador
Banca examinadora
Tierno, Patricio (Presidente)
Abreu, Maria Aparecida Azevedo
Rubiano, Mariana de Mattos
Título em português
Hannah Arendt autora e paciente: uma revisão de A condição humana
Palavras-chave em português
A condição humana
Colonização
Hannah Arendt
Racismo
Realidade humana
Resumo em português
Esta dissertação de mestrado realiza uma leitura crítica dA condição humana (1958) de Hannah Arendt. Mais do que contradições reclamadas por seus intérpretes por um lado, democrática radical e, por outro, elitista encontraremos uma coerência com relação ao que batizo como alienação ocidental da alteridade. Nesse sentido, a obra aqui estudada se revela como um momento de elaboração e fixação teórica dessa alienação, principalmente a partir da noção de realidade humana. O argumento é de que para entender isso é necessário não reificar e fetichizar o retorno à pólis, mas, sim, politizar os escritos de Arendt, localizando-os. Em um primeiro momento, parto dos eventos citados no prólogo a fim de remontar os problemas de seu tempo que preocupavam Arendt. Demonstro que a principal questão da autora nesse livro continua a ser a possibilidade de movimentos totalitários, pois estes se baseiam no conformismo das massas. No entanto, para a autora, uma grande responsável por esse conformismo seria o desenvolvimento tecnológico que estaria para liberar a humanidade do fardo do trabalho. Termino afirmando que a chave para entender essa estranha caracterização é enxergar que Arendt pretendeu uma análise do capital sem levar seu processo global em conta. Posteriormente a autora irá afirmar que o terceiro mundo não existe. A seguir procuro entender a era moderna século XVII até início do século XX na visão de Arendt. Para isso, parto de três eventos citados eventos citados no início do último capítulo do livro: o telescópio, a Reforma Protestante e a descoberta da América. Refaço as análises sobre o desenvolvimento da alienação com relação à Terra, resultado do avanço científico representado pelo telescópio; e depois reconstruo sua narrativa sobre a Reforma Protestante que teria dado início ao capitalismo. Neste ponto, trato da dificuldade que a separação entre público e privado apresentada por Arendt. No entanto, afirmo que ainda que essa divisão possa ser interpretada de forma mitigada, ela depende de uma exclusão anterior: a instauração do mundo a precede. Por último, procuro entender a falta de elaboração do terceiro evento, as Grandes Navegações. Além de suas principais consequências não serem mencionadas, não recebemos explicações sobre o tipo peculiar de alienação que engendraram. Neste trabalho escolho nomear alienação ocidental da alteridade. Retorno até o tratamento de Arendt sobre o Imperialismo m Origens do totalitarismo para revelar que o motivo pelo qual a autora se torna incapaz de tratar das colonizações nA condição humana é porque ela está mobilizando essa alienação em suas análises. Assim, sua resposta à sua principal preocupação se encontra muito limitada: conforme mostra a linha que liga as colonizações, escravidão, imperialismo ao nazismo, um dos principais elementos desses movimentos é a insensibilidade para com mortes periféricas. Proponho, por último, que a subversão da divisão da vita contemplativa e vita activa nA condição humana pode ser entendida como uma resposta de Arendt ao totalitarismo. Por outro lado, a manutenção de uma forte divisão entre physis e nomos é a continuação do racismo cultural utilizado para tratar do imperialismo.
Título em inglês
Hannah Arendt author and patient: a review of The human condition
Palavras-chave em inglês
Colonization
Hannah Arendt
Human reality
Racism
The human condition
Resumo em inglês
This master's dissertation performs a critical reading of Hannah Arendt's The Human Condition (1958). More than contradictions - on the one hand, radical democratic and on the other, elitist - we will find a coherence with what I call Western alienation from otherness. The work studied here reveals itself as a moment of elaboration and theoretical fixation of this alienation, especially from the notion of human reality. To understand this it is necessary not to reify the return to the polis, but rather to politicize Arendt's writings by locating them. I depart from the events cited in the prologue to remount the problems of his time that concerned Arendt. I show that the author's main question in this book remains the possibility of totalitarian movements, as these are based on mass conformism. However, for the author, a major responsible for this conformity would be the technological development that would be to "free humanity from the burden of work". I argue that the key to understanding this strange characterization is to see that Arendt intended an analysis of capital without taking its global process into account. Later the author will state that "the third world does not exist". Next I seek to understand the modern age - the seventeenth century until the early twentieth century - in Arendt's view. To this end, I start from three events cited at the beginning of the last chapter of the book: the telescope, the Protestant Reformation, and the "discovery" of America. I redo the analysis of the development of alienation from the earth, the result of the scientific advance represented by the telescope; and then reconstruct his narrative about the Protestant Reformation that would have started capitalism. At this point I deal with the difficulty that Arendt's separation of public and private presents. However, I contend that even though this division can be interpreted in a mitigated way, it depends on an earlier exclusion: the establishment of the world precedes it. Finally, I try to understand the lack of elaboration of the third event, the Great Navigations. Apart from its main consequences not being mentioned, we have received no explanation of the peculiar kind of alienation they engendered. In this work I choose to name it "Western alienation from otherness." I return to Arendt's treatment of Imperialism in Origins of Totalitarianism to reveal that the reason why the author becomes incapable of dealing with colonization in The Human Condition is because she is mobilizing this alienation in her analyzes. Thus, her answer to his main concern is very limited: as the line linking colonization, slavery, imperialism and Nazism shows, one of the main elements of these movements is insensitivity to peripheral deaths. Finally, I propose that the subversion of the division of the vita contemplativa and vita activa in The human condition can be understood as Arendt's response to totalitarianism. On the other hand, maintaining a strong division between physis and nomos is the continuation of the cultural racism used to deal with imperialism.
 
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Data de Publicação
2019-09-25
 
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