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Tese de Doutorado
DOI
https://doi.org/10.11606/T.60.2020.tde-21092021-051123
Documento
Autor
Nome completo
Maria Olívia Barboza Zanetti
E-mail
Unidade da USP
Área do Conhecimento
Data de Defesa
Imprenta
Ribeirão Preto, 2020
Orientador
Banca examinadora
Pereira, Leonardo Régis Leira (Presidente)
Nascimento, Mariana Martins Gonzaga do
Cunha, Renato Luiz Guerino
Mazzola, Priscila Gava
Título em português
Impacto da inserção do farmacêutico clínico na equipe de transplante alogênico de células-tronco hematopoiéticas
Palavras-chave em português
Conduta do tratamento medicamentoso
Serviço de farmácia clínica
Transplante de células-tronco hematopoiéticas
Transplante de medula óssea
Resumo em português
O transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH) é uma das terapias mais importantes em hematologia. Entretanto, trata-se de um procedimento dispendioso, associado a morbimortalidade e que envolve uma farmacoterapia complexa. Neste cenário, destaca-se a possibilidade de contribuição do farmacêutico clínico. Este estudo objetivou avaliar o impacto da inserção do farmacêutico clínico na equipe de TCTH alogênico nos desfechos: mortalidade relacionada ao transplante, falha de enxertia, incidência de doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH), tempo de internação, tempo para enxertia, número de reinternações, número de Problemas Relacionados à Farmacoterapia (PRFs), adesão e conhecimento sobre a farmacoterapia. Trata-se de um estudo de intervenção com controle histórico em que o farmacêutico atuou no grupo intervenção durante as fases: pré-TCTH, TCTH propriamente dito e pós-TCTH imediato. O acompanhamento farmacoterapêutico consistiu na monitorização diária (dias úteis) das prescrições e da condição clínica dos pacientes, identificação, monitorização e resolução de PRFs e participação nas discussões com a equipe clínica. Após a alta hospitalar, o farmacêutico realizou consultas, monitorando a adesão e o conhecimento sobre os medicamentos em uso. Ao todo, 33 indivíduos foram incluídos no grupo intervenção (GI) e 28 no grupo controle histórico (GC). Os dois grupos apresentaram características sociodemográficas e clínicas similares. A maior parte dos pacientes recebeu indicação para o TCTH em decorrência de uma doença hematológica maligna, com predomínio de medula óssea como principal fonte de células-tronco. A frequência de transplantes aparentados foi superior no GC (p = 0,0427). Foram encontrados 250 PRFs, esclarecidas 59 dúvidas da equipe e realizadas 309 intervenções no GI. Os PRFs decorreram principalmente de interações medicamentosas (36,80%), reações adversas à medicamentos (18,0%) e sobredoses (12,0%). As classes terapêuticas mais envolvidas foram os anti-infecciosos de uso sistêmico e os antineoplásicos e imunomoduladores. Obteve-se uma média de 9,36 (DP= 6,97) intervenções por paciente, abrangendo principalmente reduções de dose (19,09%), ajustes de horário de administração (18,12%), atividades educativas/qualificação da equipe (15,21%) e retirada de fármacos (10,68%). Quanto à aceitabilidade, 85,8% das intervenções foram aceitas, 3,9% foram aceitas com alterações, 7,1% não foram aceitas sem justificativa e 3,2% não foram aceitas com justificativa. As intervenções significantes ou muito significantes representaram 75,4% dos casos. Em média, cada paciente passou por 4,68 consultas farmacêuticas (DP = 1,91) durante o pós-TCTH imediato e o aumento no conhecimento e na adesão pôde ser evidenciado (p = 0,0001; p = 0,0115, respectivamente). Não foi possível demonstrar diferenças entre GI e GC na mortalidade, falha de enxertia, DECH, tempo de internação, tempo para enxertia e reinternações. Contudo, as intervenções farmacêuticas foram necessárias principalmente em pacientes com internações prolongadas (p < 0,001), que necessitaram de reinternações (p < 0,001), que utilizaram mais medicamentos (p < 0,001) e/ou que apresentaram DECH (p < 0,001) ou falha de enxertia (p = 0,010). Apesar da dificuldade na mensuração do impacto do acompanhamento farmacoterapêutico nos desfechos clínicos, é notável a contribuição em pontos relevantes do transplante. O farmacêutico realizou intervenções clinicamente relevantes e auxiliou no gerenciamento da farmacoterapia, contudo, a abordagem multidisciplinar é fundamental para maximizar os ganhos.
Título em inglês
Impact of the inclusion of a clinical pharmacist in the allogeneic hematopoietic stem-cell transplantation team
Palavras-chave em inglês
Bone marrow transplantation
Hematopoietic stem cell transplantation
Medication therapy management
Pharmacy service; hospital
Resumo em inglês
Hematopoietic stem cell transplantation (HSCT) is one of the most important therapies in hematology. However, it is an expensive procedure, associated with substantial rates of morbidity and mortality and which involves highly complex pharmacotherapy. In this scenario, the potential contribution of the clinical pharmacist is highlighted. This study aimed to evaluate the impact of the inclusion of a clinical pharmacist in the allogeneic HSCT team on the outcomes: transplant-related mortality, graft failure, incidence of graft versus host disease (GVHD), length of hospital stay, time for grafting, number hospital readmissions, number of Drug Related Problems (DRPs), adherence and knowledge about pharmacotherapy. This is an interventional study with historical control in which the pharmacist performed tasks in the intervention group during the transplantation phases: preHSCT, HSCT itself and immediate post-HSCT. This professional daily reviewed prescriptions and patient's clinical condition, identified, monitored and solved DRPs and participated in discussions with the multidisciplinary team. After hospital discharge, the pharmacist also conducted consultations, monitoring adherence and knowledge about the drugs in use. 33 participants were included in the intervention group (IG) and 28 in the historical control group (CG). Both groups had similar sociodemographic and clinical characteristics. Most patients received an indication for HSCT due to malignant hematological diseases, with predominance of bone marrow as the main source of stem cells. The frequency of related transplants was higher in the CG (p = 0.0427). In the IG, a total of 250 DRPs were obtained, 59 team doubts were solved and 309 interventions were carried out. DRPs were mainly drug interactions (36.80%), adverse drug reactions (18.0%) and overdoses (12.0%). The therapeutic classes most involved were anti-infectives for systemic use, antineoplastic and immunomodulators. An average of 9.36 (SD = 6.97) interventions per patient was obtained, mainly covering dose reductions (19.09%), administration schedule adjustments (18.12%), educational activities (15.21 %) and drug withdrawal (10.68%). Regarding acceptability, 85.8% of the interventions were accepted, 3.9% were accepted with changes, 7.1% were not accepted without justification and 3.2% were not accepted with justification. Significant or very significant interventions represented 75.4% of cases. On average, each patient participated in 4.68 pharmaceutical consultations (SD = 1.91) during the immediate post-HSCT and the increase in knowledge and adherence could be proved (p = 0.0001; p = 0.0115, respectively). It was not possible to demonstrate differences between IG and CG in mortality, graft failure, GVHD, length of hospital stay, time for grafting and hospital readmissions. However, pharmaceutical interventions were necessary mainly in patients with prolonged hospitalizations (p <0.001), who required hospital readmissions (p <0.001), who used a greater number of drugs (p <0.001) and/or who presented GVHD (p <0.001) or graft failure (p = 0.010). Despite the difficulty in measuring the impact of pharmaceutical care on clinical outcomes, the contribution in relevant and measurable points of the transplant was remarkable. The pharmacist was able to perform clinically relevant interventions and to assist the HSCT team in pharmacotherapeutic management, however, the multidisciplinary approach is essential to maximize the achievements.
 
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Data de Liberação
2022-08-10
Data de Publicação
2021-09-28
 
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