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Mémoire de Maîtrise
DOI
https://doi.org/10.11606/D.59.2020.tde-14022021-215819
Document
Auteur
Nom complet
Vinicius Alexandre
Adresse Mail
Unité de l'USP
Domain de Connaissance
Date de Soutenance
Editeur
Ribeirão Preto, 2020
Directeur
Jury
Santos, Manoel Antonio dos (Président)
Comin, Fabio Scorsolini
Braga, Iara Falleiros
Oliveira, Wanderlei Abadio de
Titre en portugais
Vivendo uma conjugalidade insubordinada: narrativas de casais cis-trans e casais transcentrados
Mots-clés en portugais
Conjugalidade
Gênero
Teoria fundamentada nos dados
Teoria queer
Transexualidade
Resumé en portugais
Nas últimas décadas, a agenda de pesquisas cientificas tem ampliado seu interesse em produzir estudos que destacam pessoas trans e travestis como objeto de interesse. As ciências médicas, desde o século passado, têm se dedicado a estudar a transexualidade a partir de uma perspectiva biológica, na qual o corpo é o principal recorte de pesquisa, em um viés patologizante. Nesse vértice empobrecido, pessoas trans e travestis são enquadradas em uma categoria diagnóstica que lhes outorga o "rótulo" de indivíduos mentalmente doentes. A presença da transexualidade em manuais diagnósticos de transtornos mentais é um reflexo dessa perspectiva. Dentre os inúmeros esforços teóricos e militantes que emergiam para se oporem a essa tendência, a Teoria Queer ganhou destaque já a partir da década de 1990. Um dos princípios fundamentais que norteiam os estudos queer afirma que a concepção de gênero não deve ficar restrita ao corpo biológico do indivíduo, de maneira que a crença de que a anatomia define imutavelmente os conceitos de "homem" e "mulher" é completamente equivocada. Na visão das/os teóricas/os queer, o gênero tem uma característica instável e sujeita a inúmeras influências ao longo do ciclo vital. A partir dessa perspectiva, é proposta uma desconstrução da ideia preconcebida de identidade de gênero por meio do questionamento da polarização do gênero, a qual limita a experiência identitária ao binarismo "homem-mulher". O binarismo de gênero produz identidades não-inteligíveis para todos os sujeitos que vivenciam identidades de gênero e conjugalidades não polarizadas, ao mesmo tempo em que o dispositivo Heteronormatividade relega essas mesmas identidades e conjugalidades a uma zona de apagamento social. Como efeito direto desse regime de poder, as conjugalidades que envolvem pessoas trans e travestis, sejam elas conjugalidades cis-trans ou transcentradas, são negligenciadas tanto pelo contexto social como pelo meio científico. Considerando esses pressupostos, este estudo teve por objetivo investigar as narrativas de casais cis-trans e casais transcentrados. Trata-se de um estudo qualitativo, transversal e exploratório, que tem como referencial teórico a Teoria Queer e o conceito central de Heteronormatividade. O referencial metodológico adotado foi a Teoria Fundamentada nos Dados (TFD). Para a construção do corpus de análise foram entrevistados três casais cis-trans, um casal transcentrado e uma travesti envolvida em uma conjugalidade transcentrada. As entrevistadas narrativas episódicas foram conduzidas a partir de questões que buscaram circunscrever os significados que os casais atribuem aos seus relacionamentos, incluindo a dinâmica conjugal, os desafios diários para preservar o relacionamento e os planos para o futuro. Quatro entrevistas foram realizadas de forma simultânea com ambos os/as cônjuges e uma entrevista foi realizada isoladamente com uma colaboradora. As entrevistas ocorreram em situação face a face, com duração entre 56 minutos a 231 minutos, e foram audiogravadas mediante autorização. Após a coleta de dados, o conteúdo das entrevistas foi transcrito literalmente e na íntegra. Posteriormente, seguindo os procedimentos da TFD, os dados foram analisados e dessa análise emergiram 12 categorias temáticas, as quais foram organizadas em torno do fenômeno central "Vivendo uma conjugalidade insubordinada", em um modelo paradigmático de análise. Os resultados mostraram que as conjugalidades cis-trans e transcentradas enfrentam inúmeras adversidades em suas trajetórias. A transfobia, até então vivida apenas pelos parceiros trans e pelas parceiras travestis, demonstrou potencial para afetar também seus/suas parceiros/as cis. Esse fenômeno constantemente pressiona os casais para uma zona de marginalidade social, uma vez que seus relacionamentos são classificados como ilegítimos e seu direito de amar e vivenciar a conjugalidade não é reconhecido. Diante dessas circunstâncias, revoltar-se contra o regime de poder heteronormativo não é apenas uma questão de desejo, e sim de necessidade de resistir e afirmar suas existências. Estre as formas de insubordinação identificadas, destacam-se os enfrentamentos e a rejeição das/os participantes a uma parcela de suas famílias e de suas amizades. Também se evidenciou a preocupação com a segurança e integridade pessoal, que gera a necessidade de analisar previamente os locais que frequentarão, uma vez que nem todos os espaços públicos toleram a presença de indivíduos que subvertem as normas do sistema sexo/gênero. No entanto, os atos de insubordinação também envolvem momentos de criação, quando novas formas de viver podem ser geradas. Com a ajuda da parcela receptiva de suas famílias, das/os amigas/os, da fé, da luta militante e, fundamentalmente, das/os parceiras/os, elas/es se fortalecem e novas experiências de conjugalidade emergem. Essas novas conjugalidades são dotadas de especificidades e têm potencial para se sustentarem e terem longa duração. Espera-se que o conhecimento produzido neste estudo possa contribuir para o desenvolvimento de abordagens culturalmente sensíveis à diversidade e que os profissionais da saúde que atendem à população trans/travesti possam repensar suas concepções sobre os relacionamentos afetivos e as dimensões multifacetadas do gênero e da sexualidade. Espera-se que sejam capazes de perceber que, aquilo que é propagado como conjugalidade normal, é uma construção circunstancial e e que a normalidade é uma construção exclusivamente contextual e que é redescrita continuamente nos moldes que melhor se adaptem às existências humanas individuais.
Titre en anglais
Living an insubordinate conjugality: narratives of cis-trans couples and trans-centered couples
Mots-clés en anglais
Conjugality
Gender
Grounded theory
Queer theory
Transsexuality
Resumé en anglais
In recent decades, the scientific research agenda has broadened its interest in producing studies that highlight trans people and transvestites as objects of interest. Since the last century, medical sciences have been dedicated to studying transsexuality from a biological perspective, in which the body is the main research cutout, in a pathological bias. In this impoverished vertex, transsexuals and transvestites are framed in a diagnostic category that gives them the "label" of mentally ill individuals. The presence of transsexuality in mental disorder diagnostic manuals is a reflection of this perspective. Among the numerous theoretical and militant efforts that emerged to oppose this trend, the Queer Theory gained prominence as early as the 1990s. One of the fundamental principles guiding queer studies states that the conception of gender should not be restricted to the individual's biological body, so the belief that anatomy immutably defines the concepts of "man" and "woman" is completely mistaken. In the view of queer theorists, gender has an unstable characteristic and is subject to numerous influences throughout the life cycle. From this perspective, a deconstruction of the preconceived idea of gender identity is proposed through the questioning of gender polarization, which limits the identity experience to the binary "man-woman". Gender binarism produces unintelligible identities for all subjects who experience gender identities and non- polarized conjugalities, while the Heteronormativity device relegates these same identities and conjugalities to a zone of social obliteration. As a direct effect of this regime of power, conjugalities involving trans and transvestites, be they cis-trans or transcended conjugalities, are neglected by both the social context and the scientific environment. Considering these assumptions, this study aimed at knowing the meanings assigned by cis-trans and transcended couples to their marital relationships. It is a qualitative, transversal and exploratory study, whose theoretical reference is the Queer Theory and the central concept of Heteronormativity. The methodological reference adopted was the Grounded Theory (GT). For the construction of the corpus of analysis three cis-trans couples were interviewed, a transcentralized couple and a transvestite involved in a transcentralized conjugality. The episodic narratives were conducted from questions that sought to circumscribe the meanings that couples attribute to their relationships, including marital dynamics, daily challenges to preserve the relationship and plans for the future. Four interviews were conducted simultaneously with both spouses and one interview was conducted in isolation with an employee. The interviews took place in a face-to-face situation, lasting from 56 minutes to 231 minutes, and were audio-recorded upon authorization. After data collection, the content of the interviews was transcribed literally and in full. Later, following GT procedures, the data were analyzed and from this analysis 12 thematic categories emerged, which were organized around the central phenomenon "Living an insubordinate conjugality", in a paradigmatic model of analysis. The results showed that cis-trans and transcended conjugalities face numerous adversities in their trajectories. Transfobia, until then experienced only by trans partners and transvestite partners, showed potential to affect their cis partners as well. This phenomenon constantly presses couples into a zone of social marginalization, since their relationships are classified as illegitimate and their right to love and experience conjugality is not recognized. In the face of these circumstances, revolting against the regime of heteronormative power is not only a matter of desire, but of the need to resist and affirm their existence. Among the forms of insubordination identified, the confrontations and rejection of the participants to a part of their families and their friendships stand out. The concern with security and personal integrity was also highlighted, which generates the need to previously analyze the places they will attend, since not all public spaces tolerate the presence of individuals who subvert the norms of the sex/gender system. However, acts of insubordination also involve moments of creation, when new ways of living can be generated. With the help of the receptive part of their families, friends, faith, militant struggle and, fundamentally, partners, they become stronger and new experiences of conjugality emerge. These new conjugalities are endowed with specificities and have the potential to have long duration. It is hoped that the knowledge produced in this study may contribute to the development of culturally sensitive approaches to diversity, and that health professionals who serve the trans/travestite population may rethink their conceptions about affective relationships and the multifaceted dimensions of gender and sexuality. They are expected to be able to perceive that what is propagated as normal conjugality is a circumstantial construction, just as normality is an exclusively contextual construction, and normality is continuously rewritten in ways that best adapt to individual human existences.
 
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Date de Libération
2023-02-14
Date de Publication
2021-03-23
 
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