Dissertação de Mestrado

Documento
Dissertação de Mestrado
Nome completo
Camila Prandini Prandini
E-mail
Unidade da USP
Instituto de Psicologia
Programa ou Especialidade
Data de Defesa
2024-07-29
Imprenta
São Paulo, 2024
Orientador
Banca examinadora
Kupermann, Daniel (Presidente)
Nogueira, Isildinha Baptista
Tiburi, Márcia Angelita
Título em português
Ativismo e Sofrimento Psí­quico: as Mulheres Defensoras de Direitos Humanos
Palavras-chave em português
Ativismo, Defensora de direitos humanos, Ferenczi, Mulher, Trauma
Resumo em português
Este trabalho tem o objetivo de construir uma leitura possível sobre o sofrimento psíquico das mulheres defensoras de direitos humanos (DDHs) a partir de elaborações vindas do campo da psicanálise e, em especial, da traumatogênese Ferencziana. O termo "defensoras de direitos humanos" refere-se às mulheres que atuam pela promoção ou proteção dos direitos humanos, individual ou coletivamente. Em sua atuação política, as defensoras ou ativistas enfrentam diversos tipos de violência e relatam um grau elevado de exaustão e sofrimento psíquico. Para a produção de informações, foram realizadas entrevistas semi-dirigidas com três mulheres defensoras, duas mulheres negras e uma indígena, cujo conteúdo foi posteriormente analisado por meio do procedimento da Análise Interpretativa, de Frederick Erickson. A partir da teoria do trauma em Ferenczi, construiu-se uma leitura do desmentido dos fenômenos do racismo e do sexismo no contexto brasileiro, dialogando com algumas proposições de Frantz Fanon e Valeska Zanello. Buscou-se investigar o fenômeno do sofrimento psíquico das DDHs a partir de uma mirada interseccional, evidenciando o papel da interseccionalidade entre raça, gênero e classe na produção deste sofrimento. Foi possível observar: (1) a existência de uma relação entre o tema da atuação política das defensoras e a vivência de experiências traumáticas, (2) como se manifesta o sofrimento psíquico das DDHs, (3) que as defensoras sofrem novas violências durante sua atuação política e que essas violências são desmentidas e (4) que as mulheres encontram no ativismo uma legitimação do testemunho sobre as violências sofridas e uma possibilidade de agir em relação às estruturas sociais, fonte conflitual que lhes causa sofrimento. Considerou-se que não é o ativismo em si que cura, assim como não é o ativismo em si que provoca sofrimento e adoece. Constatou-se que, durante a sua atuação política, coexistem autorizações e desmentidos dos testemunhos das DDHs sobre as violências de que foram e são vítimas. A pesquisa conduziu à proposição de que esta situação, em que os testemunhos das defensoras são constante e simultaneamente autorizados e desmentidos, contribui significativamente na produção do sofrimento psíquico experimentado por elas.
Título em inglês
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Palavras-chave em inglês
Activism, Ferenczi, Trauma, Woman, Women human rights defender
Resumo em inglês
The aim of this paper is to construct a possible understanding of the psychic suffering of women human rights defenders (WHRDs) based on elaborations from the field of psychoanalysis and, in particular, Ferenczian traumatogenesis. The term "women human rights defenders" refers to women who work to promote or protect human rights, individually or collectively. In their political work, women defenders - or activists - face various types of violence and report a high degree of exhaustion and psychological suffering. To gather information, semi-directed interviews were conducted with three women defenders, two black women and one indigenous woman. The content of the interviews was later analyzed using Frederick Erickson's Interpretive Analysis procedure. Based on Ferenczi's theory of trauma, a reading of the disavowal of the phenomena of racism and sexism in the Brazilian context was constructed, dialoguing with some propositions by Frantz Fanon and Valeska Zanello. We sought to investigate the phenomenon of the psychological suffering of WHRDs from an intersectional perspective, highlighting the role of the intersectionality between race, gender and class in the production of this suffering. It was possible to observe: (1) the existence of a correlation between the subject of women defenders' political activity and the experience of traumatic experiences, (2) how the psychological suffering of WHRDs manifests itself, (3) that women defenders suffer new violences during their political activity and that these violences are denied, and (4) that women find in activism a legitimization of their testimony about the violence they have suffered and a possibility to act towards social structures which are a source of conflict that causes them suffering. It was considered that it is not activism in itself that heals, just as it is not activism in itself that causes suffering and illness. We observed that, in the course of their political work, WHRDs' testimonies about the violence they have suffered and are suffering are legitimized and disavowaled at the same time. The research led to the proposition that this situation, in which WHRDs' testimonies are constantly and simultaneously legitimized and disavowaled, significantly contributes to the production of the psychological suffering they experience.

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Data de Publicação
2024-10-10

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