Tese de Doutorado

Documento
Tese de Doutorado
Nome completo
Vinicius Frayze David
E-mail
Unidade da USP
Instituto de Psicologia
Área do Conhecimento
Data de Defesa
2024-10-23
Imprenta
São Paulo, 2024
Orientador
Banca examinadora
Resende, Briseida Dogo de (Presidente)
Coscioni, Vinicius
Pasian, Sonia Regina
Valentova, Jaroslava Varella
Varella, Marco Antonio Corrêa
Mendonça Filho, Euclides José de
Título em português
Sensibilidade Ambiental: Adaptação das versões brasileiras das escalas Highly Sensitive Person Scale (HSPS) e Highly Sensitive Child Scale (HSC) e um estudo de herdabilidade em crianças gêmeas
Palavras-chave em português
Escala, Herdabilidade, Pessoa Muito Sensível, Psicometria, Sensibilidade Ambiental
Resumo em português
O conceito de pessoa muito sensível, proposto na década de 1990, mais tarde se ampliou para a ideia da existência de Sensibilidade Ambiental (ES), definida como a habilidade de perceber, processar e interpretar estímulos externos. A ES deriva de três propostas anteriores: Susceptibilidade Diferencial (TSD), Sensibilidade Biológica ao Contexto (SBC) e Sensibilidade do Processamento Sensorial (SPS). A ES inclui sensibilidades a aspectos negativos e positivos do ambiente, de maneira que existiria uma vulnerabilidade positiva além da negativa, que costuma ser o foco de estudos sobre resiliência. Algumas escalas foram propostas para avaliar a sensibilidade de pessoas, sendo a Highly Sensitive Person Scale (HSPS) para adultos e a Highly Sensitive Child Scale (HSC) para crianças as mais utilizadas. Os objetivos desta tese foram adaptar e verificar as propriedades psicométricas das duas escalas para uma população brasileira e também estimar a herdabilidade dos fatores que compõem a ES. No primeiro estudo, duas amostras de 179 e 851 adultos indicaram parâmetros psicométricos adequados para a aplicação da HSPS adaptada, retendo 23 dos 27 itens da escala original divididos em sensibilidade positiva e sensibilidade negativa. Foram verificadas correlações entre aspectos negativos e neuroticismo e entre aspectos positivos e agradabilidade do modelo de cinco grandes fatores de personalidade (Big five), consistentes com a literatura. Análises de classes latentes (LCA) identificaram, além de três grupos de sensibilidades baixa, moderada e alta encontrados em outros estudos, um quarto grupo de sensibilidade alta no fator positivo e moderada no negativo. O segundo estudo, a partir de uma amostra de 623 crianças (08 a 13 anos), mostrou boas propriedades psicométricas da HSC em um modelo com três fatores: Sensibilidade estética (AES), Facilidade de Excitação (EOE) e Baixo Limiar Sensorial (LST). A validação convergente mostrou correlações esperadas entre a ES e os dois aspectos da escala BIS/BAS de avaliação do temperamento. A LCA indicou a existência de indivíduos divididos em três graus de sensibilidade, encontrados desde a proposta original da escala em 2018. O terceiro estudo utilizou modelos mistos para estimar a herdabilidade dos fatores da HSC a partir de uma amostra de 68 pares de gêmeos (31 monozigóticos). Foi verificado um aspecto herdável responsável por 21,3% da variância do fator EOE, 52,9% do LST e 44,4% da ES total. Não foram identificados aspectos herdáveis para o fator AES. Os resultados apontam a adequação do uso da HSCS e da HSC em uma população brasileira e uma proporção herdável condizente com a literatura para o total da ES. Contudo, a proporção de pessoas muito sensíveis encontrada foi maior do que o relatado pela literatura tanto em adultos quanto em crianças e não foi encontrado um aspecto herdável para a AES. Nesse sentido, destaca-se a relevância dos resultados desta tese s para expandir o estudo da ES em populações não WEIRD e auxiliar na investigação de potenciais efeitos contextuais e genéticos sobre a ES e seus fatores.
Título em inglês
Environmental Sensitivity: Validation of the Brazillian Versions of the Highly Sensitive Person Scale (HSPS) and Highly Sensitive Child Scale (HSC), and a heritability study in twin children
Palavras-chave em inglês
Environmental Sensitivity, Heritability, Highly Sensitive Person, Psychometrics, Scale
Resumo em inglês
The concept of a highly sensitive person, proposed in the 1990s, later expanded into the idea of Environmental Sensitivity (ES), defined as the ability to perceive, process, and interpret external stimuli. ES derives from three earlier proposals: Differential Susceptibility Theory (DST), Biological Sensitivity to Context (BSC), and Sensory Processing Sensitivity (SPS). ES includes sensitivities to both negative and positive aspects of the environment, suggesting the existence of positive vulnerability in addition to the negative, which is often the focus of resilience studies. Several scales have been proposed to assess people's sensitivity, with the Highly Sensitive Person Scale (HSPS) for adults and the Highly Sensitive Child Scale (HSC) for children being the most used. The objectives of this thesis were to adapt and verify the psychometric properties of the two scales for a Brazilian population and to estimate the heritability of the factors that make up ES. In the first study, two samples of 179 and 851 adults indicated adequate psychometric parameters for the application of the adapted HSPS, retaining 23 of the original 27 items divided into positive sensitivity and negative sensitivity. Correlations were observed between negative aspects and neuroticism and between positive aspects and agreeableness of the Big Five personality model, consistent with the literature. Latent Class Analyses (LCA) identified, in addition to the three groups of low, moderate, and high sensitivities found in other studies, a fourth group of high sensitivity in the positive factor and moderate in the negative. The second study, with a sample of 623 children (ages 8 to 13), showed good psychometric properties of the HSC in a model with three factors: Aesthetic Sensitivity (AES), Ease of Excitation (EOE), and Low Sensory Threshold (LST). Convergent validation showed expected correlations between ES and the two aspects of the BIS/BAS scale for temperament assessment. LCA indicated the existence of individuals divided into three degrees of sensitivity, consistent with the original proposal of the scale in 2018. The third study used mixed models to estimate the heritability of HSC factors from a sample of 68 pairs of twins (31 monozygotic). A heritable aspect responsible for 21.3% of the variance of the EOE factor, 52.9% of the LST, and 44.4% of the total ES was verified. No heritable aspects were identified for the AES factor. The results point to the adequacy of using the HSCS and HSC in a Brazilian population and a heritable proportion consistent with the literature for the total ES. However, the proportion of highly sensitive people found was higher than reported in the literature for both adults and children, and no heritable aspect was found for AES. Thus, the relevance of these results is significant for expanding the study of ES in non-WEIRD populations and aiding in the investigation of potential contextual and genetic effects on ES and its factors.

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Data de Publicação
2025-02-12

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