Dissertação de Mestrado
Documento
Dissertação de Mestrado
Autor
Nome completo
Mariana Andrade Costa
Unidade da USP
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto
Programa ou Especialidade
Data de Defesa
2024-09-25
Imprenta
Ribeirão Preto, 2024
Orientador
Banca examinadora
Macedo, Leandro Dorigan de (Presidente)
Schussel, Juliana Lucena
Leme, Adriana Franco Paes
Título em português
Avaliação da relação entre a mucosite oral e análises proteômicas salivares de pacientes submetidos ao transplante alogênico de células-tronco hematopoiéticas
Palavras-chave em português
Espectrometria de massa, Mucosite oral, Proteômica, Transplante de células-tronco hematopoiéticas
Resumo em português
A mucosite oral é um dos principais efeitos colaterais do transplante alogênico de células-tronco hematopoiética (alo-TCTH). Ela está diretamente relacionada a redução da qualidade de vida e risco de morbidade durante o tratamento. O seu desenvolvimento é descrito em cinco etapas, desde os danos celulares gerados pela quimioterapia e/ou radioterapia até a etapa de reparação, sendo que o processo é mediado pela expressão de citocinas pró-inflamatórias como TNF-&alpha:, IL-1β e IL-6. Sua patogênese ainda não é completamente compreendida e estudos que avaliem a correlação entre as proteínas salivares ainda não foram desenvolvidas. O objetivo deste estudo foi avaliar a expressão de proteínas em saliva de pacientes submetidos ao alo-TCTH antes do início do condicionamento e durante a mucosite oral. Estudo longitudinal, prospectivo e exploratório com pacientes submetidos ao primeiro aloTCTH, com idade igual ou superior a 12 anos, que não apresentam condição inflamatória em cavidade oral na internação para o condicionamento. As avaliações estão sendo realizadas em dois tempos, T0 (imediatamente antes do condicionamento) e T1 (momento de pior grau de mucosite oral). Em T0 foram coletados dados demográficos e de saúde bucal e realizada coleta de saliva, e em T1 ocorreu a avaliação diária dos pacientes e a expectativa do dia de pior grau de mucosite oral. Os pacientes que desenvolveram lesões de mucosite oral foram coletadas amostras de saliva e de classificação de mucosite oral (OMS). A avaliação clínica sempre sobrepôs a expectativa teórica do dia de pior grau de mucosite oral. Com isso, em casos que o paciente não apresentou lesões de mucosite oral clinicamente detectáveis, em teoria, o suposto o pior de grau de mucosite foi estimado entre D+7 ao D+10. As amostras de saliva foram coletadas, processadas e armazenadas a -80ºC nos dois tempos para análise proteômica foi realizada no Laboratório Nacional de Biociências (LNBio) do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM). Uma vez realizada a identificação e quantificação de todas as proteínas encontradas nas amostras e realizados os tratamentos para normalização dos dados, foi avaliada a diferença entre as médias dos dois grupos foi realizado teste T Student (p≤=0,05), e a comparação estatística entre os grupos nos mesmos tempos e entre os tempos nos mesmos grupos. Foram determinadas também as proteínas exclusivas para os dois grupos e o agrupamento hierárquico das amostras. A média de idade dos pacientes do grupo sem mucosite oral grave foi de 27,6 anos (±9,64) sendo a maioria do sexo masculino (70%). O grupo com mucosite oral grave apresentou média de idade de 26,5 anos (±11,41) e a maioria sendo do sexo masculino (60%). No grupo com mucosite oral houve um predomínio da LLA (60%) como doença de base, enquanto o grupo sem mucosite oral teve um discreto predomínio da anemia aplástica (40%). A maioria dos pacientes do grupo sem mucosite oral (90%) foi submetido ao regime de condicionamento de intensidade reduzida, e houve um discreto predomínio do condicionamento mieloablativo (60%) no grupo com mucosite oral. A maioria dos pacientes dos dois grupos apresentou boa saúde bucal. Ao comparar a quantidade de proteínas entre os dois grupos em T0, os pacientes que não desenvolveram mucosite oral grave apresentaram maior expressão de proteínas relacionadas à imunidade inata e adaptativa, enquanto os pacientes que desenvolveram mucosite oral grave tiveram maior expressão de proteínas relacionadas ao processo de desenvolvimento das células epiteliais. Em T1, os pacientes que desenvolveram mucosite oral grave tiveram maior quantidade de proteínas relacionadas a imunidade inata e ação antibacteriana e o grupo sem mucosite oral grave teve maior quantidade de proteínas relacionadas a manutenção do epitélio. Este estudo mostrou a identificação e quantificação de proteínas que podem estar relacionadas a fisiopatologia da mucosite oral, porém estudos precisam ser realizados para confirmar essa correlação, e assim identificar possíveis biomarcadores para a mucosite oral.
Título em inglês
Evaluation of the relationship between oral mucositis and salivary proteomic analyses in patients undergoing allogeneic hematopoietic stem cell transplantation
Palavras-chave em inglês
Hematopoietic stem cell transplantation, Mass spectrometry, Oral mucositis, Proteomics
Resumo em inglês
Oral mucositis is one of the main side effects of allogeneic hematopoietic stem cell transplantation (allo-HSCT). It is directly related to a reduction in quality of life and an increased risk of morbidity during treatment. Its development is described in five stages, from the cellular damage caused by chemotherapy and/or radiotherapy to the repair stage, with the process being mediated by the expression of pro-inflammatory cytokines such as TNF-α, IL-1β, and IL-6. Its pathogenesis is still not fully understood, and studies evaluating the correlation between salivary proteins have not yet been developed. The objective of this study was to evaluate the expression of proteins in the saliva of patients undergoing allo-HSCT before the start of conditioning and during oral mucositis. This is a longitudinal, prospective, and exploratory study involving patients undergoing their first allo-HSCT, aged 12 years or older, who do not have inflammatory conditions in the oral cavity at the time of hospitalization for conditioning. Evaluations are being conducted at two time points, T0 (immediately before conditioning) and T1 (the time of the worst degree of oral mucositis). At T0, demographic and oral health data were collected, and saliva samples were taken. At T1, patients were evaluated daily, and the expected day of the worst degree of oral mucositis was determined. For patients who developed oral mucositis lesions, saliva samples and classifications of oral mucositis (WHO) were collected. Clinical evaluation always took precedence over the theoretical expectation of the day of the worst degree of oral mucositis. Thus, in cases where the patient did not present clinically detectable oral mucositis lesions, the supposed worst degree of mucositis was theoretically estimated to be between D+7 and D+10. Saliva samples were collected, processed, and stored at -80°C at both time points for proteomic analysis, which was conducted at the Brazilian Biosciences National Laboratory of the National Center for Research in Energy and Materials (NCREM). Once all proteins found in the samples were identified and quantified and data normalization treatments were performed, the difference between the means of the two groups was assessed using Student's t-test (p≤=0.05), and statistical comparisons were made between groups at the same times and between times within the same groups. Proteins exclusive to the two groups and hierarchical clustering of samples were also determined. The average age of patients in the group without severe oral mucositis was 27.6 years (±9.64), with the majority being male (70%). The group with severe oral mucositis had an average age of 26.5 years (±11.41), with the majority also being male (60%). In the oral mucositis group, there was a predominance of ALL (60%) as the underlying disease, while the group without oral mucositis had a slight predominance of aplastic anemia (40%). The majority of patients in the group without oral mucositis (90%) underwent a reducedintensity conditioning regimen, while there was a slight predominance of myeloablative conditioning (60%) in the oral mucositis group. Most patients in both groups had good oral health. When comparing the quantity of proteins between the two groups at T0, patients who did not develop severe oral mucositis showed higher expression of proteins related to innate and adaptive immunity, while patients who developed severe oral mucositis had higher expression of proteins related to epithelial cell development. At T1, patients who developed severe oral mucositis had a higher quantity of proteins related to innate immunity and antibacterial action, while the group without severe oral mucositis had a higher quantity of proteins related to epithelial maintenance. This study demonstrated the identification and quantification of proteins that may be related to the pathophysiology of oral mucositis, but further studies are needed to confirm this correlation and thus identify possible biomarkers for oral mucositis.
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Data de Publicação
2025-03-19
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