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Dissertação de Mestrado
Documento
Autor
Nome completo
Lucas Cavalini Barboza
E-mail
Unidade da USP
Área do Conhecimento
Data de Defesa
Imprenta
São Paulo, 2017
Orientador
Banca examinadora
Storto, Luciana Raccanello (Presidente)
Albano, Eleonora Cavalcante
Medeiros, Beatriz Raposo de
Picanço, Gessiane de Fatima Lobato
Título em português
Aspectos da glotalização na língua Dâw: um estudo de fonética experimental
Palavras-chave em português
Dâw
Fonação rangeada
Glotalização
Línguas indígenas
Nadahup
Tipos de fonação
Voz áspera
Resumo em português
Esta dissertação analisa alguns aspectos fonéticos e fonológicos das consoantes glotalizadas da língua Dâw. Argumenta-se a favor da proposta de que, na língua Dâw, a glotalização é uma propriedade segmental e distintiva, conforme descrito por Martins (2004), restrita à classe das consoantes soantes. Observa-se mais de uma forma fonética nas consoantes glotalizadas, que incluem, sobretudo, fonação rangeada e voz áspera (ESLING; HARRIS, 2003). Quando comparadas às consoantes simples equivalentes, as consoantes glotalizadas são, em geral, mais curtas, têm forma de onda dos ciclos glotais mais irregular, H1H2 menor e frequência fundamental mais alta (nos casos sem rangeado). Exceto pelos níveis de frequência fundamental, as propriedades acústicas dos segmentos vizinhos não são afetadas. A glotalização confina-se ou manifesta-se com maior intensidade nas partes das consoantes que se encontram mais distantes das vogais adjacentes, padrão que também foi notado em outras línguas do mundo (PLAUCHÉ et al., 1998). Verificou-se que o aumento de frequência fundamental causado pela glotalização não provoca restrições no sistema tonal da língua Dâw e que os níveis de frequência fundamental dos tons lexicais são priorizados. A confirmação fonética do processo de redução silábica descrito por Martins (2004) permite defender que a glotalização e a oclusiva glotal compartilham o mesmo traço ou se definem por gestos semelhantes, sobretudo porque a comparação das características de ambas e a avaliação das consoantes soantes vizinhas de oclusivas glotais reforçam a semelhança. Entretanto, não há dados suficientes para sustentar a proposta de Martins (2005) de que as consoantes glotalizadas da língua Dâw originaram-se simplesmente da incorporação de traços das oclusivas glotais pelas consoantes simples. Por fim, observou-se que as ocorrências das formas da glotalização se relacionam com a nasalidade dos segmentos e com o sexo e a faixa etária dos falantes. A relação entre nasalidade e forma da glotalização, assim como o padrão temporal das consoantes glotalizadas, talvez possam ser explicados por fatores aerodinâmicos ou perceptuais (GORDON; LADEFOGED, 2001). Entretanto, este estudo não pôde avançar na compreensão da motivação desses fatos. A relação entre sexo, faixa etária e forma da glotalização não indica mudança em curso e demanda uma pesquisa sociolinguística mais aprofundada.
Título em inglês
Aspects of glottalization in Dâw: an experimental phonetics study
Palavras-chave em inglês
Creaky voice
Dâw
Glottalization
Harsh voice
Indigenous languages
Nadahup
Phonation types
Resumo em inglês
This thesis analyses some phonetic and phonological aspects of the glottalized sonorants of Dâw language. It argues in favor of the proposal that characterizes glottalization in Dâw language as a contrastive and a segmental property restricted to the class of the sonorant consonants (MARTINS, 2004). It describes more than one phonetic form for the glottalized consonants, mainly including creaky voice and harsh voice (ESLING; HARRIS, 2003). In general, the glottalized consonants are shorter, their glottal cycles have a more irregular waveform, they have smaller H1H2 and higher fundamental frequency (when creaky voice is absent) than the correspondent plain consonants. Except for the fundamental frequency levels, glottalization does not affect the acoustic properties of the neighbor segments. Glottalization is limited to or appears more noticeably in the parts of the consonants that are found at a greater distance from the neighbor vowels, a pattern that was also found in other languages (PLAUCHÉ et al., 1998). It was found that the increase in the fundamental frequency caused by glottalization does not restrict the tonal system in Dâw and the fundamental frequency levels of the lexical tones are prioritized. The phonetic confirmation of the process of syllable reduction described by Martins (2004) allows us to defend that glottalization and the glottal stop share the same feature or are defined by similar gestures, especially because the similarity is reinforced by the phonetic comparison between both phonemic entities and by the evaluation of the sonorant consonants in the neighborhood of the glottal stops. However, there is not sufficient information to sustain the proposal of Martins (2005) that the glottalized consonants in Dâw were originated merely from the incorporation of the glottal stop features by the plain consonants. Finally, this thesis notes that the occurrences of the glottalization types relate with the nasalization of the segments and the sex and the age group of the speakers. The relation between nasalization and glottalization type, as well as the glottalization timing, perhaps can be explained by aerodynamic and perceptual factors (GORDON; LADEFOGED, 2001). Nevertheless, this study was not able to deepen the understanding of the reasons for the aforementioned facts. The relation between sex, age group and glottalization type does not imply an ongoing change and demands further sociolinguistic research.
 
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Data de Publicação
2017-09-19
 
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