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Tese de Doutorado
DOI
10.11606/T.8.2015.tde-09062015-111352
Documento
Autor
Nome completo
Carolina Lindenberg Lemos
E-mail
Unidade da USP
Área do Conhecimento
Data de Defesa
Imprenta
São Paulo, 2015
Orientador
Banca examinadora
Tatit, Luiz Augusto de Moraes (Presidente)
Badir, Sémir
Beividas, Waldir
Mancini, Renata Ciampone
Provenzano, François
Título em português
Condições semióticas da repetição
Palavras-chave em português
Aspecto
Estrutura
Linguística
Ritmo
Tensividade
Texto
Resumo em português
Trazida de áreas diversas dos estudos do homem, a repetição ganha papel central nesta tese de teor semiótico. Trata-se de fenômeno muito presente em todas as ações humanas e, em especial, nos textos. O caráter opcional de certas repetições nos textos traz à baila o problema de sua função, uma vez que, em certos casos, parece agir diretamente sobre o ritmo do conteúdo e o fluxo de entradas e saídas do campo de presença. Esse caráter regulador do ritmo divide a pesquisa em duas questões. De um lado, o efeito rítmico parece apontar para uma estrutura subjacente. Nesse sentido, podemos nos perguntar: qual é a configuração dessa estrutura? De que forma participa a repetição? Ou ainda, qual o seu lugar no esquema semiótico? De outro lado, a repetição parece envolver certa contradição: de que maneira um fenômeno que não traz novidades, apenas a retomada do conhecido, pode, por vezes, criar um efeito de tensão ou surpresa? Para responder a essas perguntas, partimos de uma revisão do papel da repetição em duas áreas vizinhas: a retórica e uma determinada corrente linguística. Essa discussão nos permitiu enxergar insuficiências nessas abordagens que podem ser supridas pela semiótica. Uma vez dentro da perspectiva semiótica, buscamos o lugar ocupado pela repetição, confrontando-a com conceitos como identificação, texto, língua e a própria noção de semiótica. Estabelecida a posição da repetição no texto, passamos a levantar e discutir as condições textuais necessárias para o aparecimento de repetições relevantes. Além do processo de identificação, a noção de saliência, baseada na oposição figura e fundo, revelou-se central para a explicação do fenômeno. Finalmente, a linearidade mostrou-se relevante, o que nos permitiu rediscutir seu estatuto teórico como uma manifestação possível da estrutura sintagmática subjacente. Tendo delineado as condições da repetição, iniciamos a investigação sobre os efeitos um tanto contraditórios que havíamos constatado nas ocorrências repetitivas. Vimos que a repetição pertence à ordem da extensidade ela se conta, não se mede , sendo assim, é instrumento de manifestação de um ritmo do conteúdo que lhe é pressuposto. Nesses termos, a repetição está subordinada a valências intensivas como o andamento e a tonicidade. Para assegurar a pertinência de nossos argumentos, estudamos a repetição no interior de objetos selecionados, nos quais está a serviço da estruturação textual. As análises dos objetos acabaram por evidenciar as relações da repetição com a concepção de aspecto, e três estilos de progressão textual ligados à repetição se confirmaram: o circular, o linear e o espiral. Esse trajeto mostrou-nos em que termos a repetição se liga a uma estrutura subjacente e a manifesta, mas também de que forma essa estrutura não só explica, como gera as variações de ritmo e andamento que se fazem sentir por meio da repetição. As contradições aparentes dos efeitos da repetição se explicam pelas próprias bases epistemológicas da disciplina. O caráter analítico e relacional da semiótica está na base da construção repetitiva, que, sem acrescentar nada de novo, pode levar o enunciatário à tensão, ao clímax e à surpresa.
Título em inglês
Semiotic constraints to repetition
Palavras-chave em inglês
Aspect
Linguistics
Rhythm
Structure
Tensivity
Text
Resumo em inglês
Emanating from different areas of the human sciences, repetition was given a central role in this thesis of semiotic inclination. It is a widespread phenomenon in all fields of human activity and, particularly, in texts. The optional character of certain repetitions brings about the problem of its function, since, in certain cases, it seems to act directly on the rhythm of the content and the flow of entrances and exits of the phenomenal field. This regulation of the rhythm divides the research into two fronts. On the one hand, the rhythmic effect points to an underlying structure. In that sense, one can ask: what is the configuration of such structure? In what way is repetition part of it? Or even, what is its place in the semiotic model? On the other hand, repetition seems to involve a certain degree of contradiction: in what way can a phenomenon that brings no novelty, only the resumption of the same, sometimes create an effect of tension or surprise? In order to answer these questions, we undertake the revision of the role of repetition in neighboring fields: rhetoric and a specific trend in linguistics. This discussion has allowed us to detect a few insufficiencies in these approaches that may be answered by semiotics. From the semiotic perspective, we have explored the place occupied by repetition, by opposing it to concepts such as identification, text, language and to the notion of semiotics itself. Once the position of repetition in the text is established, we move on to note and discuss the textual conditions necessary to the occurrence of relevant repetitions. In addition to identification, the notion of salience, based on the opposition between figure and ground, revealed itself to be central to the explanation of the phenomenon. Finally, linearity has also proven relevant, which allowed us to re-discuss its theoretical status as one possible manifestation of the underlying syntagmatic structure. Having outlined the conditions for repetition, we have started an investigation into the somewhat contradictory effects we had observed in repetitive incidents. We saw that repetition belongs to the order of the extent it is counted, not measured and, in being so, it is a tool for the manifestation of the rhythm of the content that is presupposed by it. In these terms, repetition is subordinated to the intensive sub-dimensions: tempo and tonicity. To ensure the relevance of our arguments, we studied repetition within some selected objects, where it is made to serve the structuring of the text. Finally, the analysis of these objects shed light on the relations between repetition and the concept of aspect, and three styles of textual progression related to repetition were confirmed: circular, linear and spiraling. This path of investigation has shown us the terms which repetition is tied to and the way in which it manifests an underlying structure. It has also revealed that such structure not only explains but also generates the variations in rhythm and tempo that are felt through repetition. The apparent contradictions of the effects of repetition are explained by the very epistemological bases of the field. The analytical and relational aspects of semiotics are the basis for repetitive construction, which, without adding any new information, may lead the enunciatee to tension, climax and surprise.
 
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Data de Publicação
2015-06-09
 
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