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Dissertação de Mestrado
DOI
10.11606/D.8.2007.tde-12022008-114924
Documento
Autor
Nome completo
João Alexandre Peschanski
E-mail
Unidade da USP
Área do Conhecimento
Data de Defesa
Imprenta
São Paulo, 2007
Orientador
Banca examinadora
Kowarick, Lucio Felix Frederico (Presidente)
Comparato, Bruno Konder
Löwy, Michael
Título em português
A evolução organizacional do MST
Palavras-chave em português
Conflitos sociais
Liderança
MST
Organização
Política brasileira
Resumo em português
Nesta dissertação, analisa-se a evolução da organização do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de sua formação, no fim da década de 1970, a 2006. São tratadas duas hipóteses: em primeiro, o formato organizacional do movimento social resulta de uma combinação dinâmica entre os objetivos dos sem-terra, os riscos e as oportunidades em cada conjuntura e a atuação das lideranças; em segundo, é decisiva para a continuidade do MST a capacidade de se reinventar levando em consideração as mudanças no ambiente externo. Essas hipóteses, comprovadas no decorrer da pesquisa, rejeitam duas visões correntes nos estudos sobre o movimento dos sem-terra, de acordo com as quais o formato organizacional evolui em um sentido inexorável, fundamentado nas relações internas dos integrantes do MST. Esta dissertação se baseia em uma reconstrução da história da formação organizacional do movimento dos sem-terra, salientando as motivações das famílias camponesas a participar de ocupações de terra no fim da ditadura. Nesse período inicial, é determinante a participação de grupos católicos progressistas, que inspiram os primeiros experimentos organizacionais dos sem-terra e atuam como um vetor de difusão e articulação de mobilizações camponesas em vários estados. Simultaneamente à formalização do MST, em 1984, setores da igreja vinculados ao movimento social se distanciam deste, em função das novas circunstâncias políticas geradas com a redemocratização. Isso leva a um tumulto organizacional nas instâncias decisórias dos sem-terra, que põe em risco a sobrevivência do MST. Quatro anos depois, após vários experimentos de organização malsucedidos, as lideranças do movimento social criam a Direção Nacional (DN) para manter sua unidade. Com base em uma série de tabelas que descrevem a composição dessa instância entre 1988 e 2006, percebem-se variações na DN: em alguns períodos, um mesmo grupo de dirigentes concentrou a maioria das cadeiras; em outros, principalmente nos anos mais recentes, houve renovação das pessoas no cargo. Apresentam-se duas explicações para essas variações. Em primeiro, a necessidade de a DN e de todo o MST se adaptarem ao perfil dos diferentes presidentes desse período, considerando que o governo federal é um interlocutor de grande importância para a realização dos objetivos do movimento social. Em segundo, a pressão de mulheres sem terra, cada vez mais articuladas e atuantes, para ocupar cargos de decisão no movimento social, em especial na DN, que lhes foi pouco aberta até 2005. A não-adaptação da Direção a essas duas situações poderia desencadear um novo tumulto organizacional, pondo em risco a continuidade do MST.
Título em inglês
The organizational evolution of MST
Palavras-chave em inglês
Brazilian politics
Leadership
MST
Organization
Social conflicts
Resumo em inglês
In this dissertation we analyze the evolution of the organization of the Landless Workers Movement (MST) from its formation, at the end of the 1970s, until 2006. Two hypotheses are treated: firstly, the organizational format of the social movement results from a dynamic combination between the landless' goals, the risks and the opportunities in each conjuncture and the leaderships' performance; secondly, it is decisive for the continuity of MST that it be capable of reinventing itself considering the changes in the external milieu. These hypotheses, proven during the research, reject two current views in the studies about this social movement, according to which the organizational format evolves in an inexorable direction, based on the internal relationships of MST members. This work is based on a reconstruction of the organizational formation's history of the landless workers movement, highlighting the motivations of peasant families in participating in land occupations at the end of the dictatorship. At this initial period, the participation of catholic progressive groups is determinative in inspiring the first organizational experiments of the landless and in acting as a vector of diffusion and articulation of peasant mobilizations in several states. Parallel to the formalization of MST, in 1984, sectors of the Church linked to the social movement move away from it, due to new politics circumstances generated with re-democratization. This causes an organizational turmoil in the decision-making levels of the landless, which jeopardizes the survival of MST. Four years later, after several unsuccessful organization experiments, the leaders of the social movement create a National Direction (ND) in order to maintain its unity. Based on a series of charts that describe the composition of this organ between 1988 and 2006, it is possible to note variations in the ND: in some periods, a same group of directors concentrated most of the seats; in others, mainly in the most recent years, a renewal of people in the function took place. Two explanations are presented for these variations. First of all, the ND's, and all of MST's, necessity to adapt to the profile of different presidents in this period, considering that the federal government is an interlocutor of great importance for the accomplishment of the social movement's objectives. Secondly, the pressure of landless women, increasingly articulated and active, in occupying decisionmaking positions in the social movement, especially in the ND, which had been little open to them until 2005. The Direction's non-adaptation to these two situations could unfold a new organizational turmoil, putting at risk the continuity of MST.
 
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Data de Publicação
2008-02-21
 
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