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Tese de Doutorado
Documento
Autor
Nome completo
Ana Carolina Chiou Nascimento
E-mail
Unidade da USP
Área do Conhecimento
Data de Defesa
Imprenta
São Paulo, 2017
Orientador
Banca examinadora
Waldman, Eliseu Alves (Presidente)
França, Francisco Oscar de Siqueira
Levin, Anna Sara Shafferman
Croda, Julio Henrique Rosa
Rujula, Maria Josefa Penon
Título em português
Esquema terapêutico de dose fixa combinada (RHZE) e o controle da tuberculose em área de elevada carga da doença: Município de Santos (SP)
Palavras-chave em português
Controle
Epidemiologia
Esquema terapêutico
Resultado de tratamento
Tuberculose
Resumo em português
Introdução: A carga da tuberculose (TB) no Brasil ainda é expressiva e a proporção de desfechos de tratamento desfavoráveis é elevada. Para tornar mais efetivas as atividades de controle da TB, implantou-se, em 2010, o esquema terapêutico de dose fixa combinada (RHZE). Contrastando com bons indicadores socioeconômicos, o município de Santos (SP) ainda apresenta elevadas taxas de incidência de TB e de abandono de tratamento. Objetivos: Descrever a tuberculose pulmonar (TBP), os principais desfechos de tratamento em período prévio e posterior a introdução do esquema terapêutico de dose fixa combinada (RHZE), no município de Santos. Métodos: Estudo descritivo, abrangendo pacientes com TBP diagnosticados por critérios clínico-radiológicos ou bacteriológicos, com 15 anos ou mais, residentes, e cujo primeiro tratamento com esquema RHZ ou RHZE ocorreu no município de Santos entre 01/01/2008 a 31/12/2014. As definições de caso são as adotadas pelo Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT). As variáveis estudadas foram características sociodemográficas, aspectos relativos ao diagnóstico e tratamento, comorbidades e características do serviço de saúde. A análise descritiva se fez por coortes de pacientes definidas segundo o ano do primeiro tratamento. Para as análises comparativas de proporções aplicaram-se os testes qui-quadrado de Pearson, Exato de Fisher e qui-quadrado de tendência e para variáveis contínuas o de Kruskal - Wallis. Resultados: Dos 1603 pacientes estudados, 67,2 % eram do sexo masculino, a mediana de idade foi de 39 anos, 44,4% com escolaridade entre 8 e 11 anos de estudo, 53,6% de etnia branca, 11,5% coinfectados TB/HIV; 55,0% descoberto por demanda ambulatorial, 60,9% submetidos ao tratamento supervisionado e 17,8% hospitalizados durante o tratamento. Comparando a coorte de pacientes com início de tratamento em 2008 com a de 2014, verificamos a elevação da escolaridade com 12 anos ou mais de estudo (11,3% versus 22,0%; p=0,059, X2 tendência), de privados de liberdade (0,9% versus 2,1%; p=0,026, X2 tendência), de doentes mentais (0,4% versus 3,0%; p=0,027, X2 tendência), de casos descobertos por elucidação diagnóstica (7,4% versus 12,6%; p=0.049, X2 tendência), de atendidos na Unidade Básica de Saúde (79,3% versus 90,1%; p < 0,0001, X2 tendência), de contatos investigados (1,3% versus 4,8%; p=0,040, X2 tendência). Por sua vez, houve declínio na proporção de coinfecção TB/HIV (13,2% versus 8,6%; p=0,018, X2 tendência), e hospitalizações durante o tratamento (21,6% versus 12,9%; p < 0,0001, X2 tendência). Foram tratados inicialmente com esquema RHZ 29,8% (477/1603) e 70,2% (1126/1603) com esquema RHZE. A taxa de cura manteve-se em torno de 80,0%. Por outro lado, houve declínio da proporção de retratamento pós-cura (4,7% versus zero; p < 0,0001, X2 de tendência); de óbitos por TB (3,4% versus 0,9%; p=0,090, X2 tendência), e óbitos por outras causas (3,4% versus 2,1%; p=0,028, X2 tendência). O abandono de tratamento manteve-se em torno de 13,7%, sendo que 70,0% (154/220) deles, não retornaram para retratamento. Conclusão: Após a introdução do RHZE, verificou-se a diminuição da gravidade da TB, mas as taxas de cura e de abandono não se alteraram significativamente, além disso, elevada proporção dos que abandonaram o tratamento não retornaram aos serviços. Tais resultados sugerem a necessidade de estratégias adicionais com vistas a elevar a adesão ao tratamento da TB com foco em grupos de maior risco para abandono de tratamento
Título em inglês
Treatment regimen of four drug fixed dose combination (RHZE) and the control of tuberculosis in high burden of disease area: City of Santos (SP)
Palavras-chave em inglês
Control
Epidemiology
Therapeutic scheme
Treatment outcome
Tuberculosis
Resumo em inglês
Background: The burden of tuberculosis (TB) in Brazil is still expressive and the proportion of unfavorable treatment outcomes is high. In order to make TB control activities more effective, the four-drug fixed-dose combination (RHZE) was implemented in 2010. Despite good socioeconomic indicators, the city of Santos (Sao Paulo, Brazil) still presents high rates of TB incidence and treatment abandonment. Objectives: To describe both pulmonary tuberculosis (PTB) and the main treatment outcomes in the period before and after the introduction of the four-drug fixed-dose combination regimen (RHZE) in the city of Santos. Methods: Descriptive study covering patients living in Santos, 15 years of age or older, with PTB diagnosed by bacteriological or clinical and radiological criteria whose first treatment with either regimen (RHZ) or RHZE occurred in the city of Santos between 01/01/2008 and 12/31/2014. Case definitions are those adopted by Brazil's National TB Control Program (NTP). The variables of interest were sociodemographic characteristics, aspects related to diagnosis and treatment, comorbidity and health service characteristics. The descriptive analysis was done by cohorts of patients defined according to the year of their first treatment. We used Pearson's chi-square test, Fisher's exact test and chi-square test for trend for comparative proportions analyzes and the Kruskal-Wallis test for the continuous variables. Results: Of the 1603 cases studied, 67.2% were male, 39 years old on average, 44.4% had 8 to 11 years of schooling, 53.6% were white, 11.5% had TB/HIV coinfection; 55.0% were discovered by outpatient lab testing, 60.9%were under supervised treatment and 17.8%were hospitalized during treatment. When we compared the 2008 and 2014 cohorts, we found an increase of 12 years of schooling or more (11.3% versus 22.0%; p=0.059, X2 trend), prisoners (0.9% versus 2.1%; p =0.026, X2 trend), mentally ill (0.4% versus 3.0%; p=0.027, X2 trend),cases detected by diagnostic elucidation (7.4% versus 12.6%; p=0.049, X2 trend), patients seen at a Local Health Care Center (79.3% versus 90.1%; p < 0.0001, X2 trend) and investigated household contacts (1.3% versus 4.8%; p=0.040, X2 trend). However, there was decline in the proportion of TB/HIV coinfection (13.2% versus 8.6%; p=0.018, X2 trend) and hospitalizations during treatment (21.6% versus 12.9%; p < 0.0001, X2 trend). 29.8% (477/1603) were initially treated with the RHZ regimen and 70.2% (1126/1603) with the RHZE regimen. The cure rates remained at around 80.0%. However, there was a decline in the proportion of post-cure retreatment (4.7% versus zero; p < 0.0001, X2 trend); deaths from TB (3.4 % versus 0.9%; p=0.090, X2 trend) and deaths from other causes (3.4% versus 2.1 %; p=0.028, X2 trend). Treatment abandonment remained at around 13.7% while (154/220) cases, (70.0%), did not return for retreatment. Conclusion: After the introduction of the RHZE regimen, there was a decrease in TB severity. Nevertheless, treatment abandonment and cure rates showed no significant change. Moreover, a high proportion of patients who abandoned treatment did not return for retreatment. Such results suggest the necessity of additional strategies to improve patient adherence to TB treatment focusing on patients at high risk of abandoning the treatment
 
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Data de Publicação
2017-09-12
 
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