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Tese de Doutorado
DOI
10.11606/T.17.2018.tde-23042018-141223
Documento
Autor
Nome completo
Lucas Giansante Abud
E-mail
Unidade da USP
Área do Conhecimento
Data de Defesa
Imprenta
Ribeirão Preto, 2017
Orientador
Banca examinadora
Santos, Antonio Carlos dos (Presidente)
Salmon, Carlos Ernesto Garrido
Araújo Junior, David
Carrete Junior, Henrique
Velasco, Tonicarlo Rodrigues
Título em português
Análise quantitativa por ressonância magnética da epilepsia parcial sintomática de difícil controle com imagem qualitativa negativa para lesão epileptogênica
Palavras-chave em português
Análise quantitativa
Epilepsia parcial (focal) refratária
Multimodal
Pós-processamentos individualizados
RM não lesional
RM negativa
Resumo em português
A RM convencional de rotina pode ser inconclusiva a cerca de um terço dos pacientes com epilepsia parcial (focal) refratária. Esses pacientes com RM negativa, quando indicados para cirurgia, representam um grande desafio, visto que a identificação de uma lesão estrutural epileptogênica por esse método pode ser considerada o melhor fator prognóstico para eliminação das crises no período pósoperatório. O objetivo foi avaliar o rendimento e a utilidade da RM quantitativa por meio de pós-processamentos individualizados nesse grupo de pacientes. Trata-se de um estudo prospectivo de uma coorte de 46 pacientes com epilepsia focal farmacorresistente com RM-3 Teslas não lesional e potenciais candidatos a cirurgia. Todos os pacientes foram submetidos a um novo protocolo de RM, incluindo 3D T1 e técnicas avançadas, e, posteriormente, avaliados por pós-processamentos individualizados de cinco medidas quantitativas extraídas dessas sequências. Essas medidas consistiram em espessura cortical (EC) e do sinal de junção entre as substâncias branca e cinzenta (JBC), ambas extraídas da sequência 3D T1, assim como da relaxometria T2 (RT2), taxa de transferência de magnetização (TTM) e difusibilidade média (DM). Os dados extraídos de todo o cérebro foram individualmente comparados com um grupo de controle saudáveis, utilizando-se das técnicas de análise baseada em superfície para a EC e de análises baseadas em voxel para as demais medidas. Utilizou-se do videoencefalograma de superfície e semiologia das crises para determinar a possível zona epileptogênica (ZE), sendo que 31 pacientes foram considerados como foco localizatório suspeito (FLS). As medidas quantitativas detectaram individualmente mudanças de sinal em alguma região do cérebro de 32,6% a 56,4% dos pacientes. No subgrupo classificado como FLS, os pós-processamentos detectaram individualmente alterações na região de origem eletroclínica das crises em 9,7% (3/31) a 31,0% (9/29) dos pacientes. Esse rendimento foi mais alto com a DM (31,0% ou 9/29) e RT2 (25,0% ou 7/28) e mais baixo com a EC e JBC (9,7% ou 3/31). Alterações observadas fora da região presumida da ZE foram sempre superiores, variando de 25,8% (8/31) a 51,7% (15/29). Em cinco pacientes (5/46 ou 10,9%) foi possível identificar alteração estrutural após a avaliação visual com direcionamento localizatório pelos pósprocessamentos. Embora a análise quantitativa da RM individualizada possa sugerir lesões ocultas no protocolo convencional, é preciso ter cautela devido à aparente baixa especificidade dos achados. Nesse grupo de pacientes, essas alterações devem refletir não só as alterações na região da ZE, mas também anormalidades microestruturais secundárias às crises ou, menos provavelmente, malformações cerebrais extensas não visíveis nos protocolos de rotina. Uma potencial utilidade prática desses métodos é auxiliar na colocação de eletrodos intracranianos em casos selecionados. Por outro lado, o estudo mostrou capacidade de detectar lesões potencialmente epileptogênicas que passaram despercebidas na inspeção visual convencional da RM após reavaliações dirigidas pelos pós-processamentos, notadamente pela medida da EC. Isso sugere que essas técnicas podem ser usadas como uma ferramenta de triagem para evitar que qualquer lesão visível seja ignorada ou a fim de guiar uma nova inspeção visual dirigida para uma região suspeita.
Título em inglês
Multimodal quantitative analysis of magnetic resonance in refractory symptomatic partial epilepsy with negative qualitative MR image for epileptogenic lesion
Palavras-chave em inglês
Partial refractory epilepsy. Negative MRI. Non-lesional MRI. Multimodal. Individualized post-processing. Quantitative analysis
Resumo em inglês
Conventional MRI may be inconclusive in about one-third of patients with refractory partial epilepsy. These patients with negative MRI when indicated for surgery represent a great challenge since the identification of an epileptogenic structural lesion by this method can be considered the best prognostic factor for the elimination of the crises in the postoperative period. Our objective was to evaluate the yield and utility of quantitative MRI through individualized post-processing in this group of patients. The present thesis is a prospective study of a cohort of forty-six patients with drug-resistant partial epilepsy, with non-lesional 3-Teslas MRI and potential surgical candidates. All patients underwent a new MRI protocol, including 3D T1 and advanced techniques, and were subsequently evaluated through individualized post-processing of five quantitative measures extracted from these sequences. These measurements consisted of the cortical thickness (CT) and the signal between the white and gray matters junction (WGJ), both extracted from the 3D T1 sequence, as well as the T2 relaxometry (RT2), magnetization transfer rate (MTR) and mean diffusibility (MD). Data extracted from the whole brain were individually compared to a healthy control group using surface-based analysis (SBM) techniques for CT and voxel-based analyzes (VBA) for the other measures. Surface VEEG and seizure semiology were used to determine the possible epileptogenic zone (EZ). Consequently 31 patients were considered to have a suspect location for the Focus (SLF). Quantitative measurements individually detected abnormalities in some regions of the brain from 32.6% to 56.4% of patients. In the subgroup classified as FLS post-processing individually detected abnormalities inside the region of electroclinical origin of seizures in 9.7% (3/31) to 31.0% (9/29) of the patients. This yield was higher with MD (31.0% or 9/29) and RT2 (25.0% or 7/28) and lower with CT and WGJ (9.7% or 3/31). Abnormalities observed outside the presumed EZ region were always higher, ranging from 25.8% (8/31) to 51.7% (15/29). In five patients (5/46 or 10.9%) it was possible to identify some structural abnormality after the MRI visual inspection with orientation of the location by post-processing. Although the MRI quantitative analysis through individualized post-processing may suggest hidden structural lesions in the conventional protocol, caution should be exercised because of the apparent low specificity of theses findings for the EZ. In this group of patients these abnormalities should reflect not only the alterations in the EZ region, but also the microstructural abnormalities secondary to the seizures or less likely extensive cerebral malformations not visible in the routine protocols. A practical potential utility of these methods is to assist in the placement of intracranial electrodes in selected cases. On the other hand, the study showed a certain capacity to detect potentially epileptogenic lesions that became unnoticed in the MRI conventional visual analysis after re-evaluations directed by post-processing, notably by CT measurement. This suggests that these methods should be used either as a screening tool to prevent any visible lesions from being ignored or to guide a new visual inspection directed to a suspect region.
 
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Data de Publicação
2018-07-11
 
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