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Dissertação de Mestrado
DOI
10.11606/D.17.2018.tde-19072018-112621
Documento
Autor
Nome completo
Carlos Henrique Bonadio Terra
E-mail
Unidade da USP
Área do Conhecimento
Data de Defesa
Imprenta
Ribeirão Preto, 2018
Orientador
Banca examinadora
Simões, Marcus Vinícius (Presidente)
Schmidt, Andre
Fragata Filho, Abílio Augusto
Schwartzmann, Pedro Vellosa
Título em português
Investigação da correlação topográfica entre as regiões de "watershed" na árvore arterial coronária e as alterações de perfusão miocárdica e da mobilidade ventricular esquerda na cardiomiopatia chagásica crônica
Palavras-chave em português
Cineangiocoronariografia; Watershed; Microcirculação
Resumo em português
A miocardiopatia chagásica constitui uma doença prevalente e de alta morbimortalidade no Brasil. Embora seu agente causador, o Trypanosoma cruzi, já tenha sido identificado, os mecanismos fisiopatológicos e a predileção do acometimento por determinados segmentos do miocárdio ainda não foram totalmente esclarecidos. Dentre os mecanismos envolvidos nos distúrbios da microcirculação, inclui-se a hipótese na qual o acometimento preferencial das regiões apical e posterolateral do VE deva-se à presença de áreas de fluxo arterial fronteiriço ("watershed") entre as artérias que irrigam as paredes do VE, locais estes com maior predisposição a sofrer processo de isquemia. Ainda que plausível, esta hipótese ainda não foi testada frente a razoável variabilidade da distribuição dos vasos arteriais coronários, o que implica em variações na presença ou não de regiões de "watershed" em cada paciente. Objetivo: Estudar a correlação topográfica entre as regiões de "watershed" com as alterações da mobilidade ventricular e defeitos de perfusão miocárdica no ventrículo esquerdo. Casuística e Métodos: Realizamos um estudo descritivo com análise de 63 pacientes portadores de cardiopatia chagásica crônica que possuíam cineangiocoronariografia sem lesões obstrutivas significativas e fração de ejeção igual ou superior a 40%. Utilizando a cineangiocoronariografia definimos as regiões passíveis de "watershed" baseando-nos na distribuição anatômica das artérias coronárias, tendo como critérios a dominância, a extensão e os limites das artérias coronárias direita e esquerda na irrigação das paredes do VE. Em seguida verificamos se as alterações de mobilidade parietal na ventriculografia e/ou os defeitos de perfusão segmentar na cintilografia de perfusão miocárdica coincidiam com estas regiões. Utilizamos Teste Exato de Fischer para a análise estatística dos resultados. Resultados: Na ventriculografia por contraste as frequências dealterações de mobilidade para as paredes apical, inferior e posterolateral nos pacientes na presença e ausência de respectiva região de WS correspondente foram: 76,2% vs 68,3%, 46,3% vs 38,1% e 54,6% vs 42,9%. Os valores de p obtidos foram respectivamente 0,51; 0,59 e 0,69. Considerando todas as regiões onde o WS estava presente 55,6% apresentavam alteração da mobilidade, em compensação 56,5% das regiões onde o WS estava ausente também apresentavam alteração da mobilidade, com o valor de p = 1,0. Na cintilografia de perfusão miocárdica as frequências de defeitos de captação para os segmentos apicais, inferiores médio e apical, laterais e inferior basal na presença e ausência de respectiva região de WS correspondente foram: 41,2% vs 57,1%, 67,8% vs 47,2%, 50% vs 66,6% e 33,1% vs 50%. Os valores de p obtidos foram respectivamente 0,36; 0,21; 1,0 e 1,0. Considerando todas as regiões onde o WS estava presente 53,3% apresentavam defeitos de captação, em compensação 52,2% das regiões onde o WS estava ausente também apresentavam defeitos de captação com o valor de p = 1,0. Conclusão: No estudo apresentado não se comprovou que as alterações da mobilidade parietal ou os defeitos de perfusão nos segmentos do ventrículo esquerdo ocorram nas regiões de "watershed". Portanto nossos resultados não apoiam a hipótese de que as regiões de "watershed" contribua para o mecanismo de lesão miocárdica na cardiopatia chagásica crônica.
Título em inglês
Topographic correlation between the watershed regions in the coronary artery tree and changes in myocardial perfusion and left ventricular mobility in chronic chagasic cardiomyopathy
Palavras-chave em inglês
Cineangiocoronariography; Watershed; Microcirculation
Resumo em inglês
Chagasic cardiomyopathy is a prevalent disease with high morbidity and mortality in Brazil. Although its causative agent, Trypanosoma cruzi, has already been identified, pathophysiological mechanisms and the predilection for involvement of certain segments of the myocardium have not yet been fully elucidated. Among the mechanisms involved in microcirculation disorders, the hypothesis is included in which the preferential affection of the apical and posterolateral regions of the LV is due to the presence of areas of bordered arterial flow ("watershed") between the arteries that irrigate the walls of the LV, these places are more likely to undergo ischemia. Although plausible, this hypothesis has not yet been tested against the reasonable variability of coronary artery distribution, which implies variations in the presence or absence of watershed regions in each patient. Objective: To study the topographic correlation between watershed regions with the ventricular mobility abnormalities and myocardial perfusion defects in the left ventricle. Methods: We conducted a descriptive study with 63 patients with chronic chagasic cardiopathy who had coronary angiography without significant obstructive lesions and ejection fraction equal to or greater than 40%. Using the cineangiocoronariography, we defined watershed regions based on the anatomical distribution of the coronary arteries, taking as criteria the dominance, extension and limits of the right and left coronary arteries in the irrigation of the LV walls. Next, we verified whether the parietal mobility abnormalities in ventriculography and / or segmental perfusion defects in myocardial perfusion scintigraphy coincided with these regions. We used Fisher's exact test for the statistical analysis of the results. Results: In contrast ventriculography, the frequencies of mobility abnormalities for the apical, inferior and posterolateral walls in patients in the presence and absence of a corresponding WS region were: 76.2% vs 68.3%, 46.3% vs 38 , 1% and 54.6% vs 42.9%. The values of p obtained were respectively 0.51; 0.59 and 0.69. Considering all the regions where WS was present, 55.6% had mobility alterations; in contrast, 56.5% of the regions where WS was absent alsopresented mobility alterations with p value = 1.0. In myocardial perfusion scintigraphy, the frequencies of uptake defects for the apical, lower mid and apical, lateral and lower basal segments in the presence and absence of the corresponding WS region were: 41.2% vs 57.1%, 67.8 % vs 47.2%, 50% vs 66.6% and 33.1% vs 50%. The values of p obtained were respectively 0.36; 0.21; 1.0 and 1.0. Considering all the regions where the WS was present, 53.3% presented perfusional defects, in compensation 52.2% of the regions where WS was absent also had perfusional defects with p value = 1.0. Conclusion: In the presented study it was not verified that the alterations of the parietal mobility or the perfusion defects in the segments of the left ventricle occur in the watershed regions. Therefore our results do not support the hypothesis that watershed regions contribute to the mechanism of myocardial injury in chronic Chagas' heart disease.
 
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Data de Publicação
2018-08-09
 
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