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Tese de Doutorado
DOI
10.11606/T.17.2003.tde-15072003-122244
Documento
Autor
Nome completo
Luiz Maçao Sakamoto
E-mail
Unidade da USP
Área do Conhecimento
Data de Defesa
Imprenta
Ribeirão Preto, 2003
Orientador
Banca examinadora
Marchini, Julio Sérgio (Presidente)
Freitas, Osvaldo de
Gasparoni, Aureluce Demonte
Lamounier, Joel Alves
Oliveira, Jose Eduardo Dutra de
Título em português
Estudo comparativo entre os aumentos das ferremias, determinados sem a administração prévia de ferro; após as administrações de sulfato ferroso, e complexo ferro-peptídeo.
Palavras-chave em português
Complexo ferro-peptídeo
Ferremia
Sulfato ferroso
Resumo em português
A deficiência de ferro e a anemia por deficiência de ferro (anemia ferropriva) são, ainda hoje, um dos maiores problemas nutricionais e de saúde pública em todo o mundo, afeta cerca de 2 bilhões de pessoas, especialmente nos países em desenvolvimento. Em geral os programas de prevenção e tratamento da anemia apresentam baixa adesão devido entre outros fatores a efeitos colaterais relacionados ao sistema gastrointestinal, resultantes da administração oral de compostos contendo ferro especialmente o sulfato ferroso. Dessa maneira, torna-se necessário o desenvolvimento de novas estratégias, compostos ou sistemas de liberação, que apresentem alta biodisponibilidade do ferro e minimizem ou eliminem os efeitos colaterais. Nesse sentido, o complexo ferro-peptídeo (CFP), devido as suas características físico-químicas que contrastam com aquelas apresentadas pelo sulfato ferroso (SF), torna-se uma possível alternativa como fonte de ferro. É um complexo orgânico com baixa solubilidade em pH ácido e totalmente solúvel em pH neutro a alcalino. Baseado nessas características, nos aumentos das ferremias (teores de ferro sérico ligado a apotransferrina) que ocorrem, em seres humanos, durante o período diurno observados por Wiltink et al. (1973) e no estudo realizado em ratos, por Dutra-de-Oliveira et al. (1995) comprovando resultados similares entre o sulfato ferroso e os complexos ferro-glicina e EDTA férrico, as hipóteses do presente estudo quando o complexo ferro-peptídeo é administrado por via oral, em homens saudáveis, foram: 1) induz aumentos significativos das ferremias quando comparados com os aumentos das ferremias controle (C), determinados sem a administração de ferro; 2) induz aumentos significativos iguais ou superiores aos determinados após a administração de sulfato ferroso utilizado como referência. Portanto, com o objetivo de testar as hipóteses, foram comparadas estatisticamente as variações das ferremias controle e as induzidas pelas administrações, de complexo ferro-peptídeo e sulfato ferroso. Essas variações foram determinadas a partir das diferenças entre as ferremias obtidas nas amostras coletadas de 10 homens adultos saudáveis, nos tempos: 30, 60, 120, 240, 480 e 720 minutos (’) e as obtidas no tempo zero, contados a partir do início da coleta. Cada voluntário submeteu-se aos tratamentos: recebeu no tempo 0, em jejum de 480’, com intervalo de 7 dias, as seguintes quantidades de ferro: 0mg (C), 60mg (FP1) e 80mg (FP2) como CFP, 60mg como SF, permanecendo por mais 720’ em jejum e 60mg como CFP com dieta isenta de inibidores de absorção de ferro durante e após a administração (FPD). O teste de Dunn demonstrou aumentos significativos das ferremias entre SFxC [60’(p<0,01), 120’(p<0,01), 240’(p<0,01)], SFxFP1 [120’(p<0,01), 240’(p<0,05), 480’(p<0,05)] e SFxFPD [240’(p<0,01), 480’(p<0,05)]. Entre as áreas sob as curvas ocorreram aumentos significativos nos intervalos de tempo: 0’–240’ [SFxC (p<0,01), SFxFP1 (p<0,05)], 240’–720’ [SFxFP1 (p<0,05), SFxFPD (p<0,05)] e 0’–720’ [SFxC (p<0,05), SFxFP1 (p<0,05), SFxFPD (p<0,05)]. Conclusões: As hipóteses iniciais não foram confirmadas. Não foram significativos os aumentos das ferremias após as administrações do complexo ferro-peptídeo quando comparados com os aumentos das ferremias controle, nos respectivos tempos. Esses aumentos foram significativamente menores que os determinados após a administração de sulfato ferroso, com exceção aos decorrentes da administração de complexo ferro-peptídeo em quantidade equivalente a 80 mg de ferro.
Título em inglês
A comparative study of the increase in blood iron concentrations obtained without previous iron administration and after the administration of ferrous sulfate or an iron-peptide complex.
Palavras-chave em inglês
Blood iron concentration
Ferrous sulfate
Iron-peptide complex
Resumo em inglês
Iron deficiency and iron-deficiency anemia continue to be major nutritional and public health problems all over the world, affecting about 2 billion people, especially in developing countries. In general, programs for the prevention and treatment of anemia present low adhesion due, among other factors, to the side effects related to the gastrointestinal system resulting from the oral administration of iron-containing compounds, especially ferrous sulfate. Thus, it is necessary to develop new strategies, compounds or release systems presenting high iron bioavailability and minimizing or eliminating side effects. In this respect, the iron-peptide complex (IPC), due to its physicochemical characteristics differing from those of ferrous sulfate (FS), represents a possible alternative as a source of iron. It is an organic complex of low solubility at acid pH and fully soluble at neutral or alkaline pH. Based on these characteristics, on the increased blood iron concentrations (levels of serum iron bound to apotransferrin) occurring in human beings during the diurnal period as observed by Wiltink et al. (1973), and on the similar results obtained with FS and the iron-glycine and ferric EDTA complexes by Dutra-de-Oliveira et al. (1995) in a study on rats, the hypotheses tested in the present study in which the iron-peptide complex was administered orally to healthy men were: 1) the complex induces significant increases in blood iron concentrations compared to control (C) subjects receiving no iron administration; 2) induces significant increases equal to or higher than those obtained after administration of SF used as reference. Thus, in order to test these hypotheses, we compared statistically the variations in control blood iron concentrations and the concentrations induced by the administration of the iron-peptide complex and SF. The variations were determined from the difference between the blood iron concentrations obtained in samples collected from 10 healthy adult men at 30, 60, 120, 240, 480 and 720 minutes (’) and those obtained at time zero, counted starting from the beginning of collection. Each volunteer was submitted to the following treatments: at time 0, after a 480’fast he received at 7 day intervals the following amounts of iron: 0 mg (C), 60 mg (FP1) and 80 mg (FP2) as IPC, and 60 mg as FS. He then fasted for an additional 720’ and received 60 mg as IPC together with a diet free of inhibitors of iron absorption during and after administration (FPD). The Dunn test demonstrated significant increases in blood iron concentrations for FSxC [60’(p<0.01), 120’(p<0.01), 240’(p<0.01)], FSxFP1 [120’(p<0.01), 240’(p<0.05), 480’(p<0.05)] and FSxFPD [240’(p<0.01), and 480’(p<0.05)]. Significant increases occurred in the areas under the curve for the following comparisons at the following intervals: 0’–240’ [FSxC (p<0.01), FSxFP1 (p<0.05)], 240’–720’ [FSxFP1 (p<0.05), FSxFPD (p<0.05)] e 0’–720’ [FSxC (p<0.05), FSxFP1 (p<0.05), and FSxFPD (p<0.05)]. Conclusions: The initial hypotheses were not confirmed since the increase in blood iron concentrations after the administration of the iron-peptide complex was not significant compared to the increase in control blood iron concentration at the respective time points. These increases were significantly lower than those obtained after SF administration, except for those obtained after the administration of the iron-peptide complex at a quantity equivalent to 80 mg iron.
 
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Data de Publicação
2004-08-24
 
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